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Os meios de comunicação estão
invadidos por centenas de pesquisas sobre a próxima eleição presidencial.
Vários institutos, iniciaram o processo subliminar de tentar impingir
este ou aquele candidato, dependendo dos interesses de quem os contratou.
Nem o MST consegue tamanha competência em matéria de invasão.
E entre os resultados apontados e os interesses ocultos, como recheio
de sanduíche, está o povão lesado, seja pela sorte, seja pelo desgoverno.
Vai caminhando contra o vento, sem a consciência e a vontade de aprender
que, quem sabe faz a hora e não se liga em pesquisas: vota na melhor proposta.
Mas que propostas? Até o presente momento a campanha eleitoral apenas
tem apresentado um mar de denúncias contra este ou aquele candidato. Uns,
atolados até o pescoço nos escândalos da SUDAM, SUDENE e outros de menor
porte. Outros, acuados pelo estado bandido que se apoderou dos principais
centros urbanos do país, transformando a vida de cidadãos honestos em
verdadeiro martírio.
Tem ainda, os que representam sem o mínimo pudor, a continuidade dos interesses
do Fundo Monetário Internacional, essa chaga que tomou conta da política
econômica do país, que alarga os horizontes da miséria e cria diuturnamente
novas legiões de excluídos. Tem também, os que fazem pose de proletários
mas, que desfilam como modelos na passarela, revestidos por roupas confeccionadas
nos mais caros estilistas de moda masculina do país.
Utilizam-se da cordialidade, mudam de posição como se muda de camisa,
falam em nome do povo e de suas desgraças que precisam ser eliminadas,
mas não descuram um só momento da sua grande meta: o poder. Deixam de
lado o que realmente são, para se transformarem em personagens criados
pelo diretor do espetáculo: o marketeiro.
Como confiar nessas posturas? Como entender que uma proposta de governo
tem que ser ditada por um cidadão que vai vender um candidato como se
estivesse vendendo um sabonete? Não se respeitam mais os programas partidários,
a vontade da base partidária. Simplesmente meia dúzia de caciques ditam
as regras e os militantes recebem essas regras goela abaixo, na base do
vote no sabonete Lifeboy e estamos conversados. Se não existe democracia
interna nos partidos, como acreditar que o regime atual é uma democracia
plena?
Olhar para os pré-candidatos que diariamente desfilam nos horários nobres
da TV, para quem possui um mínimo de cultura política, é simplesmente
lastimável. Faltam, a postura de estadista, um conhecimento pleno das
prioridades nacionais, um programa que defina um projeto político para
cada uma das áreas sociais e de produção. O próximo pleito presidencial,
como nos anteriores, caminha apenas para ser mais uma luta pelo poder.
Depois, é só barganhar no balcão de negócios e "governar" feliz, com maioria
no Congresso e, passar um ano desse mandato, viajando pelo mundo. Enquanto
isso, o povo brasileiro que se exploda.
Carlos Pinto
Jornalista
16/04/2002
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