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A Valsa Da Infidelidade 

Mais uma vez assistimos esse troca-troca
de partidos, por deputados e vereadores, visando melhores condições eleitorais
para o pleito do próximo ano.
Inexiste qualquer caráter ideológico, doutrinário, programático ou de
interesse coletivo. Existe apenas o interesse particular, na procura de
um ninho que lhe propicie maiores facilidades eleitorais de continuar
no mandato ou, conseguir algum. Não pesa nesta oportunidade, para qualquer
destes bailarinos da infidelidade, a vontade de seus eleitores. Vigora
apenas a individualidade e o personalismo de cada um.
Porém, culpa cabe ao viciado sistema eleitoral vigente, que não contribui
para o aperfeiçoamento do regime democrático, e permite que um deputado,
num período de dois anos, mude dezessete vezes de partido, como é o caso
de um representante de um Estado nordestino.
Houvesse espírito público na maioria dos componentes do Congresso Nacional,
já teríamos em vigência a fidelidade partidária e uma nova concepção de
lei reguladora para os partidos políticos. Já estaríamos nesta próxima
eleição com o estatuto do voto distrital adotado, aliás, medida saneadora
e urgentemente necessária, para acabar com as malas pretas do processo
eleitoral.
Culpa cabe também, aos eleitores, cujos votos são desrespeitados pelos
amantes da valsa da infidelidade, mas que continuam depositando sua confiança,
suas esperanças e seu futuro, nas mãos de quem apenas tem olhos para sua
própria estrada.
É urgente a necessidade de se prover o estado brasileiro de uma reforma
política que ponha um fim nesta dança vergonhosa, que determine novas
regras para a criação de partidos políticos, que viabilize o voto distrital,
elementos fundamentais para o aprimoramento de um estado democrático.
Que se criem obstáculos àqueles que só trabalham em função de suas individualidades,
e apenas conhecem o povo, quando dele necessitam arrancar o voto salvador
para suas eleições.
Infelizmente, na pratica, o processo eleitoral brasileiro pouco evoluiu
desde os primórdios do descobrimento. Se naquela oportunidade, Cabral
e os membros de sua comitiva, ofereceram aos indígenas um monte de miçangas,
espelhinhos e outros badulaques, com a finalidade de lhes tomar a Terra
de Santa Cruz, hoje, nossos políticos, em pouco se diferenciam dos asseclas
de Cabral. Distribuem lixas de unha, camisetas, chaveiros, porta-títulos,
batons e uma imensidade de baboseiras, com a finalidade de conseguir o
voto dos incautos. Depois de eleitos, na maioria dos casos, ocorre um
sumiço de pelo menos três anos e meio.
Está na hora do eleitorado ficar esperto. Observar os políticos que mantem
sua fidelidade partidária, que não participam dessa desavergonhada troca
de ninhos apenas e tão somente por interesse particular, que não se envolveram
durante sua vida pública e privada, em qualquer das maracutaias que diariamente
aparecem na imprensa.
Valorize seu voto eleitor. Se acredita neste país e quer um futuro melhor
para as novas gerações, comece a observar o que ocorre no cotidiano da
classe política. No final das contas, nós somos os maiores responsáveis
pelos fatos que hoje denigrem a política nacional. Afinal de contas, eles
se elegem com os nossos votos.
by: Carlos Pinto
Jornalista
17/10/2001
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