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A paixão pelo teatro
na Grécia Antiga foi de tal vulto, que Platão maliciosamente se referiu ao
governo grego de então, como uma "teatrocracia". Era o governo patrocinando
integralmente a cultura teatral. Chegou-se a gastar mais com a produção teatral
do que com as frotas comerciais e de guerra. Ao tempo de Péricles, como as
referidas produções tivessem custos muito elevados, o governo passou a cobrar
uma pequena importância aos assistentes, nascendo aí o ingresso teatral.
Com o passar do tempo Péricles criou um fundo especial através do qual distribuía
ingressos gratuitos aos cidadãos que não possuíssem condições financeiras
para adquirí-los. Nascia também, o subsídio governamental que permitia
o acesso de toda população, aos bens culturais.
No Brasil de hoje, as atividades governamentais no campo cultural são totalmente
diversas das acima mencionadas. Sem políticas definidas, sem projetos de grande
alcance, e preocupados unicamente em repassar a terceiros suas responsabilidades,
os governos em suas variadas instâncias prestam verdadeiros desserviços à
cultura nacional. Criando leis de incentivo para repassar o que deveria ser
de sua competência, produziram um perigoso abismo que ameaça a produção cultural
como um todo, deixando-a ao sabor do interesse mercantilista daqueles que,
espertamente, se aproveitam dessas referidas leis em proveito próprio.
E os resultados são verificados no dia a dia. Se por um lado a Secretaria
de Estado da Cultura, "consegue" amealhar entre patrocinadores a soma de dois
milhões de reais para realizar mais uma versão do Festival de Inverno de Campos
do Jordão, por outro, atira na sarjeta manifestações importantes da cultura
popular como é o caso dos Festivais Nacionais de Teatro de São José do Rio
Preto e Presidente Prudente.
Fica patente que a classe dominante investe na cultura elitista, enquanto
o Governo, sem projetos definidos, trabalhando sobre os joelhos, nada investe
na cultura destinada às demais classes e segmentos sociais. Quer distância
da plebe rude, da qual só se aproxima em épocas eleitorais para confiscar
seus votos. Não é de hoje que os integrantes do Instituto Cultural de Artes
Cênicas do Estado de São Paulo, vem produzindo críticas e manifestos para
alertar a sociedade, sobre os malefícios produzidos pela inoperância da Secretaria
de Estado da Cultura.
Aos poucos sua falta de afinidade com o que se produz culturalmente no interior
e litoral paulista, e a falta de programas e projetos voltados para o atendimento
aos municípios fora da Capital, vem semeando e disseminando um verdadeiro
caos cultural que nos faz lembrar uma tragédia anunciada. Com a decisão da
UNOESTE - Universidade do
Oeste Paulista, de Presidente Prudente, em não mais
realizar o Festival Nacional de Teatro por falta de ajuda e patrocínio do
Governo do Estado, caminho seguido agora pela Prefeitura Municipal de São
José do Rio Preto, pelos mesmos motivos, ao cancelar o Festival Nacional que
ali se realiza há mais de trinta anos, só temos a lamentar que o Senhor
Governador Mário Covas não perceba o que ocorre a seu lado, na ante
sala do seu Governo.
Esperamos que os empresários, políticos e artistas de São José do Rio Preto,
unam-se e consigam os investimentos necessários para evitar um final trágico
para o Festival Nacional de Teatro. Que deixem de lado qualquer dissidência
de ordem política ou cultural, e preservem um evento que hoje, já pertence
ao Brasil como um todo. Já nem faço o mesmo apelo para a UNOESTE,
por saber tratar-se de uma decisão irrevogável. Em São José do Rio Preto,
ainda resta um fio de esperança.
E dessa forma vive hoje a cultura paulista, agarrada em fios de esperança
para poder sobreviver, enquanto os apaniguados do atual Secretário conseguem
saborear as mais finas iguarias, na mesa farta do poder. Para esses um recado.
Na vida tudo tem começo, meio e fim. É só esperar...
by:
CARLOS PINTO
25/06/2000
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