Com o início dos programas de rádio e TV e a realização de alguns debates, a campanha eleitoral de Santos entra em sua reta final. Até aqui temos que louvar o comportamento dos candidatos, com pequena exceção é claro, que estão se atendo a divulgar suas realizações anteriores, relembrar aspectos da história pátria e procurando alinhavar um programa de governo para o caso de serem eleitos.
Deixando de lado os ataques pessoais e procurando sensibilizar o eleitor para suas propostas, nossos candidatos devem se conduzir por caminhos que por certo, os levarão a ter um respeito maior por parte dos eleitores, cansados que estão, de ouvir e ver tanta troca de injúrias e maledicências. De uma certa forma, com toda essa lama que rola do Planalto em função de escândalos como o do TRT de São Paulo, o povo já está descrente de tudo.
A tônica das propostas dos prefeituráveis tem por escopo principal a geração de empregos. E realmente nos dias que correm, morar em uma região onde os índices de desemprego atingem os alarmantes 23%, torna o quadro muito difícil. Mas se culpa cabe a alguém por tal situação, está claro que não pode ser atribuída a nenhum dos atuais administradores municipais.
Essa crise no mercado de trabalho, que atinge a sociedade brasileira como um todo, foi gerada nos laboratórios palacianos de Brasília. A adoção de uma política econômica atrelada aos interesses do capital alienígena, que transformou o governo brasileiro num simples títere do FMI, é a grande responsável por esse desemprego, pela desagregação social e pelo perigoso aumento da criminalidade.
A falta de programas sociais voltados para os segmentos mais carentes da população, a descoberta e veiculação dos mais vergonhosos desvios de verbas do erário público, a falta de autoridade do governo, e o despreparo e desmantelamento da máquina policial, configuram um quadro de impunidades que não pode mais ser tolerado.
Adicione-se a isto, as variadas tentativas de se estabelecerem novas formas de censura com a finalidade de calar quem se manifesta contra o caos reinante, como a se querer o restabelecimento de mais uma ditadura, mesmo que camuflada pelo glamour dos atuais mandatários.
As falhas cometidas em Brasília, deságuam como uma enxurrada sobre a cabeça dos governadores e, com mais força, sobre a dos prefeitos. Alguém no passado já disse que ninguém mora na república e nem no Estado, mas sim, nas cidades. O político mais perto dos contribuintes alem dos vereadores, são os prefeitos. Sobre eles acabam por cair todas as maldições da população menos informada.
Razão pela qual, entendo que a discussão serena e equilibrada sobre novas formas de administração, que possam se sobrepor às mazelas cometidas em Brasília, será salutar para as cidades. Tentar tapar o sol com a peneira, provocar para aparecer e poder subir nas pesquisas, insultar e contar estórias, passou a ser uma leitura escamoteada do cotidiano real das pessoas.
Hoje em dia não adiantar posar de bom moço. O povão, no seu imenso sofrimento, já assimilou todas as formas de demagogia utilizadas pela classe política. O venerado Ulysses Guimarães, em várias oportunidades, se utilizou de uma frase lapidar que foi a marca de toda a sua atividade política : "A mulher de César não pode parecer honesta. Tem que ser honesta."
Um bom programa de governo, calcado na realidade, sem promessas demagógicas, com honestidade de propósitos, por certo atenderá aos anseios da população. O resto, fica por conta da leitura que cada eleitor fizer das propostas que lhes forem apresentadas.

by: CARLOS PINTO
17/08/2000

Voltar a Espaço Cultural

Clique acima para voltar

clique aqui para enviar...

Webmaster: Bethynha