REFLEXÃO SOBRE CIDADANIA

"Somente os profetas enxergam o óbvio"
Nelson Rodrigues

 

Quem se der ao trabalho de pesquisar os arquivos oficiais do governo brasileiro, através da internet, encontrará à disposição dados interessantes sobre o comportamento governamental em suas mais variadas áreas de atuação. Vou me prender hoje, sobre um item muito interessante: Despesas da União com Viagens de Pessoal.
A fonte é o Ministério da Fazenda, e as despesas referem-se unicamente ao mês de agosto do presente exercício. Com o pagamento de diárias aos viajantes, foram despendidos R$ 52.8 milhões de reais; Com passagens e despesas de locomoção desses viajantes, mais R$ 52.5 milhões; No item auxilio alimentação, foram gastos mais R$ 100.4 milhões. Gasto total do mês de agosto: R$ 205.7 milhões de reais. Efetuando uma projeção para todo o exercício de 2004, tendo como base o mês de agosto, teremos um gasto anual em torno de R$ 2.5 bilhões de reais. Se é muito, se é pouco, não me cabe analisar.
O que nos cabe analisar é a atuação do governo federal como um todo. Sangra os bolsos do contribuinte de uma forma jamais vista nesta república desde os tempos imemoriais do colonialismo, não reparou um metro das estradas federais por onde transitam nossas riquezas agrícolas, não construiu uma única sala de aula, não edificou um único posto de atendimento médico, não colocou em pratica nenhuma política social. Mas cumpre com fidelidade canina os acordos com o Fundo Monetário Internacional, ultrapassando em muito as metas solicitadas pelos banqueiros nacionais e internacionais.
Se o leitor tiver condições, e acessar o levantamento sistemático da nossa produção agrícola, dados contidos no site do IBGE, vai verificar que essa mesma produção agrícola nacional tem uma estimativa de safra para este exercício, de 119.3 milhões de toneladas. Se confirmada,esta produção será 3.43% inferior à safra de 2003, que foi de 123.632 milhões de toneladas. Na questão da pecuária, a pesquisa trimestral de abate de bovinos registrou um aumento de 7.62% no segundo trimestre, em relação ao primeiro deste exercício, e de 25.22% na comparação com o segundo trimestre de 2003. No entanto, os preços da carne bovina continuam inacessíveis às classes mais necessitadas da nossa população. O grosso da nossa produção de carnes de primeira, segue exportado para os países de economia mais forte, que pagam preços inferiores aos cobrados em nossos açougues.


E assim sucessivamente com outros segmentos da nossa produção agro-pecuária exportados, que se sujeitam aos preços do mercado internacional porque paga em dólar, e cobram a diferença do nosso povo nos balcões e gôndolas dos supermercados. Assim é com o combustível, assim é com vários produtos necessários ao cotidiano de nossas cidades.
Como executar então o projeto Fome Zero? Como executar políticas sociais? Como diz Cláudio Lessa em um dos seus artigos, "covarde é quem inventa orçamentos de ficção sabendo que eles jamais serão executados em nome de um superávit primário, mas diz exatamente o inverso para a população." Por isso que vários municípios paulistas, que há vários anos eram administrados pelo PT, resolveram mudar de ares. Ninguém agüenta praga de gafanhoto por muito tempo.

Carlos Pinto
Jornalista
(12.10.04)

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