OS QUATRO CAVALEIROS EQUIVOCADOS

Para nós, que pertencemos à militância histórica do MDB/PMDB, é triste observar a atuação do atual Diretório Nacional, no episódio que envolve a próxima eleição presidencial. Alguém já disse que alguns deles parecem percevejos de gabinete, prontos ao dando é que se recebe, pouco importando a situação do partido ou do próprio povo brasileiro.
As últimas aparições destes equivocados cavaleiros, arautos do atraso e do empobrecimento nacional, cúmplices diretos de todo o aviltamento do nosso patrimônio público, e co-responsáveis por tudo que vem acontecendo em matéria de desgoverno, chega a ser constrangedor. Este último programa do PMDB, patrocinado pelo Diretório Nacional, foi um verdadeiro acinte aos ideais daqueles que lutaram pela liberdade de expressão, por eleições diretas, e pelo fim dos governos de exceção.
Insistem estes senhores, na transformação do PMDB em mais um partido de aluguel, mais propriamente, um apêndice do tucanato. Trabalham pela desfiguração da história partidária e, tentam implantar um total desmanche em nossas tradições de participação direta na vida e história deste país. Querem acima de tudo, eliminar a nossa identidade, a nossa soberania e transformar a todos nós, em meros capachos dos atuais mandatários da Nação.
Os quatro cavaleiros equivocados, ao defender o engajamento do PMDB ao candidato tucano, esquecem que haverá uma convenção nacional em junho; que membros do partido, de muita qualificação, estão apresentando seus nomes à essa convenção se propondo a disputar a eleição presidencial. Porque negar a eles tal oportunidade? Em nome do que trabalham para indicar o candidato a vice da chapa tucana, sem aguardar a convenção? A militância do PMDB foi transformada num singular absorvente, para ser utilizado em função dos interesses da cúpula partidária e, posteriormente, ser jogado no lixo do esquecimento?
Faltam aos senhores Michel Temer, Geddel Vieira, Moreira Franco e Renan Calheiros, a coerência partidária; o respeito devido às propostas do PMDB e, acima de tudo, sensibilidade democrática. Estão agindo como se o partido fosse um feudo medieval, e eles, os coronéis donos da terra. Olham apenas o horizonte de seus interesses pessoais, ao tempo em que se esquivam de realizar em todos os diretórios municipais, a consulta necessária para saber qual a opinião da maioria do partido sobre a sucessão presidencial.
Falam em democracia, conquistas sociais futuras, mas morrem de medo de praticar a democracia interna no PMDB. Apoiam a continuidade desregrada de medidas provisórias, como se tais instrumentos não fossem uma copia fiel dos atos institucionais, enfiados goela abaixo do Congresso Nacional. Estão apenas preocupados em manter os galhos para acomodar os símios apadrinhados, e pouco se importando com a miséria do povo, a falta de empregos, o atendimento precário da saúde pública, e tantas outras coisas necessárias à evolução e crescimento do país.
Enquanto a bandidagem vai ter plano de saúde, patrocinado pelo governo federal, a classe operária do país é obrigada a enfrentar filas a partir da madrugada, para tentar um atendimento pelo SUS. Chega de embromação e de capachismo. O PMDB quer ter seu candidato a Presidente. Está na hora de ouvir o que a militância pensa e quer, através da consulta aos diretórios municipais. O resto, é conversa mole dos cavaleiros do apocalipse partidário.

Carlos Pinto
Jornalista
(12/05/02)

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