A FARSA DOS PRIVILEGIADOS

A chamada Era Cristã inicia seu período histórico através de uma época de total obscurantismo. Após o apogeu das civilizações greco - romanas e suas quedas, uma situação caótica apossou-se do território europeu. Havia a necessidade de se refazer tudo que havia sido destruído e, neste período, não fossem os árabes com sua civilização adiantada, com seu talento para os estudos da matemática, sua intensa curiosidade pelos assuntos científicos, pelo pesquisar da filosofia grega e suas avançadas incursões no campo da medicina, teria se tornado uma tarefa infinitamente difícil para a humanidade, reaver o legado cultural greco - romano que os cristãos, na sua "boa fé de defensores da religião", destruíram sistematicamente ou esconderam nas impenetráveis e úmidas bibliotecas dos conventos.
No recheio deste caos, vamos encontrar um vazio de quase 800 anos relacionados com a prática teatral, que desapareceu como atividade intelectual, mas sobreviveu na sabedoria popular, nas festas camponesas, nos rituais da vindima, da colheita e da semeadura. Os palhaços e os pelotiqueiros continuaram a mostrar suas artes, por vezes com a complacência da igreja e, outras vezes, por ela perseguidos. Mas como tudo se transforma na marcha da história, a própria religião católica é quem vai proporcionar o renascer da arte teatral e providenciar para que ocupe o seu devido lugar. Na história do teatro brasileiro, de acordo com os pesquisadores, há um vazio de aproximadamente 200 anos, cujas anotações de textos e espetáculos ocorridos, devem estar também, nas impenetráveis bibliotecas das antigas confrarias religiosas.
Todo este preâmbulo para divagar sobre a destruição e o desmonte que o atual governo brasileiro, vem efetuando com relação às estatais e às riquezas do nosso povo, como a querer reviver este período da era medieval, em que os cristãos provocaram um total cáos nas atividades intelectuais e produtivas da Europa. A troca destas estatais, notadamente as de setores de vital importância para a independência e soberania do país, pela moeda podre do capital estrangeiro, vem desaguar neste cáos social provocado pelo altos índices de desemprego, geradores do aumento da violência urbana e da desagregação familiar.
Os escândalos que se sucedem nas esferas governamentais, desde os áulicos que se utilizam de aviões da nossa força aérea para passear com suas famílias em Fernando de Noronha, até estas desastradas incursões dos nossos mandatários do Banco Central, cujas trapalhadas são objeto de diárias denúncias que trazem indícios veementes da dilapidação de vários bilhões de dólares do erário público, são uma demonstração inequívoca de que beiramos o referido caos. Quando levados a depor nas Comissões Parlamentares de Inquérito, estes funcionários graduados se portam como se estivessem atuando em uma farsa teatral, já que esta forma cênica nunca teve compromissos ou intenções para com a moralidade pública. Sua função é simplesmente a de fazer rir, e como coloca Brecht em sua poética, "aqueles que riem, não sabem o que vem por aí".
As farsas no geral contam sempre casos da vida comum, e entre seus personagens há sempre um sabido e, também, um tolo. Entre as mais famosas estão as de Mestre Pathelin, um advogado (poderia ser um economista) finório e velhaco, que sempre leva a melhor com seus clientes, amigos e inimigos. Em determinado texto, Mestre Pathelin vai a uma loja e compra um tecido, que leva para sua casa sem pagar. O pobre do comerciante vai até sua moradia para efetuar a cobrança e lá o encontra acamado, fazendo de conta que está doente, divagando, com febre alta. A mulher de Pathelin garante ao comerciante que ele não sai de casa há vários dias, e o coitado se retira, convencido de que foi tapeado pelo demônio, que tomou emprestada a figura do finório rábula.
Nesta apreciável farsa da desvalorização do real, também existem os personagens sabidos, que de acordo com o Deputado Mercadante são banqueiros nacionais e internacionais com seus agentes aqui infiltrados e, os tolos, que somos todos nós, brasileiros, que suamos a camisa no dia a dia para produzir as riquezas nacionais, que num átimo de momento são odiosamente surrupiadas pelos Pierpont Morgan da vida, com a complacência e, até, de acordo com os indícios declarados pelo Deputado petista, conivência de funcionários que teriam repassado as chamadas informações privilegiadas.
Como tudo se repete no correr da história da humanidade, vivemos hoje tempos da era medieval, com a destruição por este patético governo de toda a nossa auto - estima, da nossa fé no futuro, da esperança de nossos filhos, da nossa produção intelectual desvalida, já que a grana é pouca para tanto "banqueiro falido". Pelo andar da carruagem, logo, logo, vai aparecer um depoente informando aos nossos perplexos senadores, que quem passou as informações privilegiadas foi o próprio demônio, que se apossou da figura de um funcionário qualquer.
E depois disto, só sentando no sofá, colocando na vitrola uma composição do Chico e do Milton, e sair cantando junto com eles : "PAI, AFASTA DE MIM ESSE CÁLICE"...... Em seguida, tratar de começar a reagir antes que seja tarde.
(by: Carlos Pinto)
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