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Em
Memória de Plínio Marcos
Obras do
Autor:

Esses
Mestres do Teatro
Transas das
6ªs Feiras
Teatro
Vivo. Muito Vivo
O Batismo
A Trilha da Saúde
O Pio do Macuco
A Vocação
O Manco
Valentes de Santos
Jabaquaradas
Amor é
Amor
Bate papo sobre o Tarô
O Telepata
Nem tudo o que parece
é Faquir
O Último Tocador
de Tambu
Somente Uma Vez
na Vida
Uma História
de Amor
Saltimbanco do
Macuco
Uma Festa Para Zezinha
Uma História
de Subúrbio
Alberto D'Aversa, Um
Gênio
Encontraram,
Dois Perdidos
Uma Barca Chamada
Esperança
Amo o Ator
Dois Times Sem Jogo
Amor e Ódio
de Bacalhau e Marion
As Professoras
de Cubatão
Cuscuz e Xaxado
"O Fim de um Caguete"
Bira Morfético
Coisas de Carnaval
Sou de Santos
Vocês Sabiam?
O Fim do Velho
Sambista
O Profeta Enganador
ou Enganado
Amanhã, Dona
Sinhá.
Roubaram os Compositores
das Escolas de Samba
Carnaval não
precisa de subvenção: Basta o Povo
Uma Festa para
nossa História
Sugestão
pra União do Samba
Música
de Carnaval, Que Horror!
O Bexiga, através
de seus Bambas
O Medo é
Broca
Bochichos das Quebradas
O Ator
Santos
Em
breve novas obras.
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Nascido em 29 de outubro de 1935, em Santos, Plínio
Marcos estreou como dramaturgo em 1957, aos 22 anos,
apresentando "Barrela" ao público, durante o II Festival
Nacional de Teatro de Estudantes, organizado por Paschoal
Carlos Magno. A peça provocou escândalos, mas foi em
1966 que o autor se tornaria conhecido e respeitado
nacionalmente, com "Dois perdidos numa noite suja".
Depois, um longo roteiro de censuras, prisões e peças:
Navalha na carne (1967), "Balbina de Iansã" (1970),
"Quando as máquinas param" (1971), "Abajur lilás" (1975),
"Querô" (1979). A partir da década de 80, suas
peças abraçaram temas religiosos e esotéricos, como
"Madame Blavatsky" (1985) e "A mancha roxa" (1988).
Foram mais de quarenta anos de criação que certamente
não cessariam: em 97 ele anunciava em entrevista que
estava escrevendo outras peças, "Seja você mesmo"(infantil)
e "O bote da loba". Estas duas obras ficaram inacabadas.
Faleceu em São Paulo, no dia 19 de novembro de 1999,
com falência múltipla dos órgãos,
por volta das 16hs.
by: Carlos Pinto
PLÍNIO MARCOS E A MARCA GLORIOSA
DO MACUCO
Por Narciso de Andrade
Era muito moço quando o conheci
no meio daquele povo meio alucinado do Bar Regina, que
ficava ali no Gonzaga, de onde partiam os bondes para
qualquer ponto da cidade.
A turma era fogo, toda espécie de artista, pintor,
músico, poeta, escritor, a gente linda e espalhafatosa
do teatro, esse pessoal desajustado que se reunia para
curtir o grande lance da noite e da madrugada. Que a coisa
ia até altas horas, com o papo transitando entre
os temas de arte e cultura com o molho ardido das teses
políticas. Futebol ao de leve. Não parecia,
mas era tudo gente séria, compenetrada de seu dever
com o instante e o futuro. Não imaginávamos
que ia dar no que deu.
Foi nesse meio que ele surgiu, atrevido e desafiador,
com sua voz circense em timbre agudo exigindo a atenção
da audiência. E logo se instalou na bancada destacada
daquele cenáculo, com perdão da má
palavra.
-Quem é ele?
Perguntava alguém.
-Um tal de Plínio Marcos.
-O que ele faz?
-Dizem que é palhaço de circo.
-Quem descobriu a fera?
-Patrícia Galvão.
A esta altura o Plínio já tomava conta do
pedaço, grande contador de histórias que
sempre foi. Simpatizei com ele de cara, não se
escondia, não era de contar vantagem, tinha gênio
desafiador, mas não era arrogante e trazia de berço
a marca gloriosa do Macuco. Só isso já bastaria
para nos aproximar.
Houve uma certa desconfiança da patota quanto ao
verdadeiro valor do Plínio porque ele próprio
se proclamava analfabeto, coisa espantosa naquele ambiente
todo intelectualizado. De minha parte, nunca duvidei de
seu talento e ele sabe disso. Topei muita discussão,
até com meu poetirmão Roldão Mendes
Rosa, grande nome da poesia santista, mas dotado de um
acentuado espírito crítico. Meu irmão
pintor, Nelson Penteado de Andrade, vivia insistindo com
o Plínio para ele se aperfeiçoar na língua
portuguesa se queria mesmo ser escritor.
Mas o destino daquele Plínio audaz e provocador
já estava traçado: não seria apenas
mais um escritor provinciano, porém o grande dramaturgo
a marcar com seu texto vibrante e indignado toda uma fase
de nossa história teatral.
A acidentada trajetória de Plínio todos
conhecem. Sua luta inaudita durante os duros anos da ditadura
com a maioria dos textos censurados e probidos, as dificuldades
do dia-a-dia a vender os livros que escrevia à
porta dos teatros paulistanos, enfim uma vida a transcorrer
sempre no exercício da mais profunda fidelidade,
a si mesmo, aos amigos e a todos aqueles que sempre o
cercaram. Todos nós sabemos que por trás
daqueles modos insólitos se ocultava o menino sensível
do Macuco.
Estamos torcendo pela sua recuperação que,
felizmente, já está se processando. Torcedor
do Jabaquara é assim mesmo: sempre sabe dar a volta
por cima. Diz para a Vera que estou esperando o livro
de contos que você me prometeu.
Nota do Autor :
este texto foi escrito pouco antes do falecimento de Plínio
Marcos.
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