
No último dia 19 de
novembro, em várias cidades do país, foi celebrada a passagem do primeiro
ano da morte de Plínio Marcos. Seus amigos, profissionais e amadores de teatro,
artistas de todos os segmentos culturais, reverenciaram a data com leitura
de suas peças, apresentações de espetáculos em homenagem aquele que é um dos
maiores dramaturgos da história do teatro nacional.
Em sua cidade natal, Santos, a Federação Santista de Teatro Amador organizou
uma vasta programação que foi desenvolvida na Casa de Câmara e Cadeia. Em
São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, e em tantas outras cidades, recordaram
sua obra e seus ensinamentos.
No próximo dia 11 de dezembro, no Memorial da América Latina, será aberta
uma exposição que relembrará sua obra teatral, suas crônicas, sua atuação
e sua vida pessoal. Idealizada por Tanah Correa, a mostra tem a coordenação
do cenógrafo José Carlos Serroni, e a participação de vários de seus amigos,
entre os quais Marco Antonio Rodrigues, Sergio Ferrara, Oswaldo Mendes e dezenas
de outros, entre os quais me incluo.
Todo o levantamento de seu acervo está sendo realizado por essa equipe para
ser mostrado ao público paulistano e, posteriormente, levado ao Rio de Janeiro
e, por último, será exposto em Santos, onde todo esse acervo será doado à
Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal. O patrocínio desta exposição
é do Governo de São Paulo, através da Secretaria de Estado da Cultura, por
especial solicitação do Governador Mário Covas.
Para a concretização do projeto, Plínio Marcos - Um Grito de Liberdade, contamos
também com o trabalho de Lulu Librandi, coordenadora do Memorial da América
Latina, que se empenhou para conseguir junto ao Governador Mário Covas, a
ajuda financeira necessária. De Santos, obtivemos a colaboração da Deicmar
S/A, através de seu Presidente, Artur Cavaloti e, de todos os veículos de
comunicação como o Sistema A Tribuna de Comunicações; TV-Mar, Jornal da Orla,
alem da Federação Santista de Teatro Amador através do Toninho Dantas, e Museu
da Imagem e do Som, do Centro de Cultura de Santos.
Esperamos com essa exposição, prestar a homenagem póstuma que Plínio sempre
mereceu. É pena que durante sua vida, tenha sido tão pouco entendido, como
lamentamos ainda hoje, após sua morte, que determinados setores mantenham
seu ranço conservador. Mas a vida é feita desses caminhos e cada qual deve
trilhar o seu. Uns procuram a luz, outros estarão sempre envolvidos com as
trevas.
Da eternidade, onde se encontra hoje, Plínio Marcos, com aquele seu jeitão
característico, seu coração de jardim florido, sua postura de contestador
místico, saberá que todos nós, seus amigos, vamos continuar a reverenciar
sua memória e continuar seu trabalho por um mundo melhor, uma vida mais digna,
para que um dia sua obra deixe de ser a realidade crua do dia a dia, e passe
para o estágio de uma ficção de tempos sombrios de que haveremos de escapar.
by: Carlos Pinto
09/12/2000
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