OS PASSAGEIROS DA AGONIA

Quem se detém na leitura de jornais, ou tem a mania de assistir aos telejornais de nossas emissoras, deve andar se perguntado que país é este. Trata-se de um questionamento válido, em função das crescentes ondas de desemprego e violência urbana, problemas de cunho social que não podem ser analisados separadamente, pois um é causa e outro é efeito. Junte-se a esta matéria prima, os resultados que estão sendo apurados pela CPI do narcotráfico, onde cada vez mais surgem membros de poderes constituídos da República, envolvidos direta e indiretamente em contrabando, roubo de cargas, tráfico de entorpecentes, venda de sentenças judiciais, apropriação indébita de importâncias judicialmente depositadas e tudo mais que se possa imaginar, sem esquecer os assaltos praticados contra a Previdência Social. O estatuto da imunidade parlamentar, privilégio ostentado pelos membros do Poder Legislativo, nestas alturas do campeonato virou mesmo, estatuto da impunidade parlamentar.
Quando da cassação do sr. Hildebrando Paschoal, deputado federal eleito pelo Estado do Acre, envolvido em assassinatos, esquadrão da morte e toda espécie de atos tipificados como criminosos, a Câmara dos Deputados levou seis meses de massantes reuniões, para se certificar de que seu ilustre membro era mesmo um bandido. Deve levar outros seis, para comprovar da mesma forma, que o suplente que assumiu a vaga do cassado, ostenta os mesmos predicados e honrarias. E durante todo esse tempo, o estatuto da impunidade parlamentar privilegia estes barões da bandidagem com bons salários, vários assessores, jetons e a mais variada mordomia, despesas essas pagas pelos coitados dos contribuintes que se esfolam nas filas de desempregados, atrás de uma vaga que lhes permita, pelo menos, dar de comer a suas famílias e pagar os impostos que , em parte, são direcionados ao pagamento do que acima explicitei. E a cada dia novas taxas e impostos são anunciados, como a nos demonstrar que recuamos no tempo e voltamos ao período da derrama colonial. Agora inventaram a teletaxa para melhorar a segurança pública e, o desconto dos aposentados para melhorar o caixa da previdência social.
Da mesma forma inventaram a CPMF para auxiliar a saúde pública e o resultado é o que estamos assistindo. Tenho dúvidas se o arrecadado pela teletaxa resultará em benefícios para a coletividade em matéria de segurança.
Todos os dias algum ilustre funcionário do Ministério da Saúde, acossado pelo mau funcionamento dos seus diversos órgãos, apela para a falta de verbas e dotações orçamentárias, como forma de isentá-lo do cumprimento de suas finalidades constitucionais. No entanto, um olhar crítico para os gastos inúteis dessa pasta, nos informa que só neste exercício, pouco mais de vinte milhões de reais foram destinados ao capitulo da propaganda. Gastos que só privilegiam agências, o ocupante do cargo ministerial e a mídia, responsável final pela transmissão da mentira governamental aos pobres dos contribuintes.
Quantos postos de saúde não seriam construídos com essa verba ?
Quantos medicamentos não seriam adquiridos para fornecimento aos doentes sem recursos?
Quantos projetos destinados à saúde pública na área do saneamento básico poderiam ser implementados ?
Quanta coisa poderia ser feita em favor da sociedade, do coletivo ?
Os deuses e príncipes instalados no Olimpo de Brasília, talvez não estejam interessados nas propostas acima. Em razão disso, cada um de nós, membros desta sociedade espoliada pelo poder público mancomunado com o capital estrangeiro, está virando refém de um estado caótico de autoridade, de falta de perspectivas e de uma visão de futuro.
Com nossa soberania arranhada pelo excesso de curvatura da espinha dorsal do Presidente, aos ataques do Fundo Monetário Internacional, nos encaminhamos como gado para o matadouro de nossos ideais como povo e como nação independente.
Na verdade somos hoje, passageiros da agonia, nesta estrada que nos leva às perdas da auto estima, da construção do futuro, da estrutura familiar, do emprego, da segurança pública e da vontade de continuar alimentando as ambições daqueles que tripudiam diuturnamente, sobre os direitos de cada um de nós.
(Carlos Pinto)
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