ORQUESTRA AFINADA - II


A revista Veja em sua edição de 12 de janeiro último, poderia ter prestado um grande serviço ao país quando resolveu entrevistar o Brigadeiro Bräuner. Preferiu antes, tentar "ornar" a folha de serviços do Brigadeiro, com uma tentativa de junção entre sua descendência e uma possível e suspeita coloração nazista. Fez o serviço da mídia chapa branca, completado dias depois pelo Sr. Pedro Parente, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, edição de 16.01.
No intervalo dessas duas publicações, juntaram-se a essa linha de raciocínio alguns comentários de profissionais de insuspeitada independência, que, infelizmente, tal qual o Brigadeiro em sua entrevista, primaram pela inocência, que na maioria das vezes, trai o sentido da palavra. Nada mais que repentinamente, as idéias nacionalistas do Brigadeiro foram abafadas pela interpretação ou conotação dada às suas opiniões sobre Hitler. Querer tapar o sol com a peneira é como desviar o olhar da sociedade das mazelas que hoje ocorrem neste país. Será que se a opinião dada fosse sobre Stalin teria a mesma repercussão ? Claro que não, pois o Brigadeiro não é descendente de russos. E por acaso Stalin não foi um grande líder soviético ?
Por acaso, também, a globalização tem sido boa para o Brasil ? Ou é ótima para as nações que detêm o poder econômico? Quais a causas do enorme desemprego que ora assola o país ? Não interessou para a mídia chapa branca discutir esta e outras colocações do Brigadeiro, vazadas no mais puro sentimento de brasilidade ? Por que privatizar os aeroportos ? Por que entregar a grupos internacionais empresas de interesse estratégico, que podem em futuro próximo colocar em risco a segurança nacional ? Trata-se de privatização ou de privataria, de fazer inveja aos bucaneiros de Cavendish?
Não interessou tirar ilações de um assunto interessante como o caso do mau uso, por parte de alguns ministros, dos jatinhos da FAB. É assunto polêmico, ainda mais agora que um dos campeões desse mau uso, o dr. Geraldo Quintão, foi guindado ao posto de Ministro da Defesa. Como diria o Zagaia, " o homi agora vai nadá de braçada." Afinal de contas, foi ele quem deu o parecer favorável à venda das ações da Embraer para os franceses. Vai apenas terminar o serviço, enquanto nós, pobres mortais, somos obrigados a pagar taxas e mais taxas, impostos sobre tudo, para cobrir despesas desnecessárias contraídas por ministros e seus convivas em turismo por Fernando de Noronha, ou em função dos erros cometidos no comando da Nação.
Tem razão o Brigadeiro quando diz em sua entrevista, que não adianta dizer " façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço". Se o governo tem um norte a seguir, essa rota deve envolver toda a população. Ou adotamos o lema "faça o que eu faço", ou então é melhor seguir a proposta do saudoso Stanislaw Ponte Preta : "Ou se restaura a moralidade ou então, nos locupletemos todos".
Esta equipe que ora nos governa, ou pensa que o faz, passou seus primeiros quatro anos lutando pela reeleição, o que conseguiu graças a uma suspeita votação do Congresso Nacional, que custou a cassação de alguns deputados envolvidos num escândalo chamado compra de votos, escândalo esse que, até hoje, permanece sem conclusão efetiva. Jogaram-se alguns porcos na arena para delícia dos leões de chapa branca. Hoje, o que se percebe, é que determinados membros do governo iniciam uma batalha pela volta do parlamentarismo. Sonham eleger o atual mandatário para o cargo de primeiro Ministro. Se alcançarem tal objetivo, a próxima meta será a restauração da Monarquia, para que então se possa coroar um novo Imperador, talvez Fernando I.
Mao-Tsé Tung, histórico marxista chinês e um líder de seu povo, já advertia para o seguinte : "O difícil não é montar no tigre e sim, sair de cima dele." O que se percebe, é que a camarilha fica em pânico diante da expectativa de ter que apear do tigre e perder as mordomias. Mas isto é assunto para outro dia. (Carlos Pinto) 12/02/2000