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O BEXIGA, ATRAVÉS DA HISTÓRIA DE SEUS BAMBAS
Ai da aldeia que esquecer os seus
grandes vultos populares. Por certo se esgotará por falta de seiva
em suas raízes.
Pato Nagua dançava samba na aba do chapéu. Pato Nagua ficava em cima do Viaduto do Chá apitando e comandava o glorioso cordão alvinegro do Bexiga, o Vai-Vai (hoje escola de samba), desfilando pelo Vale do Anhangabaú. Pato Nagua ocupou com orgulho o cargo de chefe da torcida uniformizada do Corinthians. Pato Nagua amou e foi amado por muitas mulheres. E foi indo atrás de um rabo de saia que ele se perdeu. Uma madrugada, depois de um samba duro, no porão do Bexiga, onde crioulo de mais de metro e setenta tinha que dançar dobrado em cima da dama pra não bater com a testa nas vigas, onde depois que a poeira subia só se sabia que tinha pagode pelo ronco da cuíca e o choro do cavaquinho, Pato Nagua foi levar uma cabrochinha lá pras bandas de Suzano Paulista. Longe paca. E amanheceu boiando numa lagoa. Estava comido de peixe e de bala. Como foi, como não foi, ninguém sabe. Defunto não fala. O que se sabe é que a notícia chegou no Bexiga na hora da Ave Maria. E ali nas quebradas do mundaréu, onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos, o povo lesado que transa pelos estreitos, escamosos e encardidos atalhos do roçado do Bom Deus chorou a morte do seu artista. E o Geraldão Filme, legíitimo poeta do povo, chorou por todos: "Silêncio by: Plínio Marcos
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