Necessidade

Estou me sentindo vazio
Como um solitário nômade do asfalto,
Que na corcova do seu dromedário mecânico
Desliza pensativo pelo imenso deserto negro.

Imagens psicodélicas da minha infância longínqua,
Ressecadas, fluem de minha mente árida.
Verdades hipotéticas germinam e crescem débeis,
Meio turvas, no oásis do meu âmago, feito garatujas.

Mergulho agora em um imenso oceano verde oliva,
Lavando minha alma de marrom angústia.
Uma paz azul fecunda minha alegria cinza,
E eu penso em ti com um sorriso laranja.

Se fosse para te esquecer,
Por que te conheci?
Se fosse para não te amar,
Por que me deram coração?

Se fosse para te odiar,
Por que meu peito transborda de carinho?
Se fosse para viver longe de ti,
Por que moramos na mesma galáxia?

Estou na tarde do meu viver.
Célere, a noite escura se aproxima.
Mas sei que ainda faltam muitas horas
Para o crepúsculo chegar.

E se o relógio do tempo não parar,
Incauto, adiantar seus ponteiros dúbios,
Antes da escuridão do anoitecer
Muito tempo para te amar ainda terei.

by: Luiz Lima

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