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A NAU SEM RUMO
Não bastassem as constantes demonstrações
de incompetência do dia a dia, o governo do sr. Fernando Henrique Cardoso acabou
transformando a festa dos 500 anos em um enorme fiasco. O caso da nau capitânia
é uma dessas coisas de deixar português rindo das piadas sobre brasileiros.
E quantas não devem ter sido produzidas, com justo merecimento.
Quinhentos anos atrás, os portugueses, sem a tecnologia dos tempos atuais, construíam
suas caravelas e singravam os sete mares sem qualquer outro problema, que não
o das tempestades marítimas. A nossa, construída quinhentos anos após, siquer
conseguiu deixar o porto, numa demonstração inequívoca da incompetência, da
negligência, da falta de pudor e de amor ao nosso país.
Cerca de aproximadamente quatro milhões de reais, foram investidos neste projeto
por parte do governo brasileiro e um grupo de empresários, que pretendia a construção
de uma réplica da caravela utilizada por Cabral, para efetuar uma pequena viagem
entre Salvador e Santa Cruz de Cabrália. Um verdadeiro festival de equívocos
não permitiu que o clone da nau capitânia participasse das comemorações dos
500 anos de descobrimento do Brasil. Cada tentativa de sair do porto, era uma
nova certeza de a ele retornar, inúmeros eram os problemas gerados por um projeto
mal feito e mal concretizado.
O jornal A Folha de São Paulo, que andou coletando preciosidades relacionadas
com a aplicação dos recursos destinados ao projeto, selecionou alguns interessantes,
que me permito tornar a veicular: quase R$ 1.600,00 em almoços e jantares em
restaurantes do Rio de Janeiro, onde estavam incluídas 42 doses de uísque, alem
de vinhos, cervejas, refrigerantes, vodca e caipirinhas. Não é atoa que a nau
quase foi a pique.
Para a consecução deste projeto, o Ministério do Esporte e Turismo, à época
gerenciado pelo patético Ministro Rafael Greca, firmou convênio com o Instituto
Memorabilia, do qual nunca ouvi falar, injetando R$ 2,3 milhões de suados reais
que nos são tomados diariamente através da derrama fiscal que se instalou no
país. E pasmem: o presidente desse Instituto, Sérgio Aguiar, utilizou recursos
desta verba para pagar despesas de todo tipo, inclusive impostos e compra de
detergentes, alem de aproveitar a festa para viajar a Portugal e Bahia, por
conta da viúva.
Além disso, foram utilizados recursos também para pagar os salários de
duas assessoras do Instituto Memorabilia -Ieva Cardoso (que não se perca pelo
nome) e Ana Julia Morales de Aguiar, que pelo sobrenome, quem sabe, deva possuir
qualquer parentesco com o presidente da referida entidade, alem de despesas
de taxi e do pagamento de uma fatura do cartão de crédito do presidente da Memorabilia.
Talvez a única aplicação que, muito embora ilegal, tenha tido algum proveito,
foram os trezentos reais destinados à Unicef.
Não vou nem falar dos erros cometidos na construção da nau capitânia, que acabou
capitaneando a degola do Ministro Greca, aliás, de há muito esperada. De acordo
com alguns gozadores de plantão, a nau perdeu as comemorações dos 500 anos,
mas poderá ser aproveitada para as festas juninas que se aproximam. Afinal de
contas, vai ter muita madeira de sobra para alimentar as fogueiras de Santo
Antonio, São João e São Pedro.
É por essas e outras questões, que o sr. FHC fica nervoso e comete ameaças a
parlamentares que querem um salário mínimo mais justo. Afinal de contas, o erário
precisa economizar recursos para construir uma nova caravela para a festa dos
mil anos, e proporcionar, quem sabe, para qualquer outro Instituto e sua diretoria,
as mordomias proporcionadas nesta primeira versão da nau capitânia. Fora isto,
é bom não viajar para Portugal nos próximos anos. Num vai dar para aguentar
as piadas sobre os brasileiros.![]()
by Carlos Pinto
18/05/2000
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