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"Plínio é o
mais original e brilhante
lugar comum do Brasil, isto é, todo o mundo conhece
Plínio Marcos, dramaturgo proibido
ou cronista censurado".
João Apolinário
1973
Em lançamento da Editora de Cultura, após trinta anos de
sua esgotada edição, "Histórias das Quebradas
do Mundaréu", de Plínio Marcos, volta ao convívio
dos leitores brasileiros que não tiveram acesso à referida
primeira edição. Mantendo a apresentação de
João Apolinário, seguramente um dos melhores críticos
teatrais do país, esta coletânea de contos e crônicas
nos mostra a outra face deste dramaturgo, preocupado com a massa excluída,
com as injustiças sociais e a falta de acesso aos bens materiais
e culturais, que oprime os menos favorecidos.
Os brasileiros amantes do teatro se acostumaram ao Plínio dramaturgo,
de colocações fortes e reais em suas obras, que sempre mereceu
dos governos, mesmo em épocas de débil democracia, a tesoura
implacável da censura. Mesmo hoje, torna-se difícil aos
produtores teatrais, a conquista de patrocínios para a encenação
ou filmagem de suas obras, quer seja de órgãos governamentais,
quer seja da iniciativa privada. Vivemos numa democracia de fachada, pois
dos seis espetáculos que estavam em cartaz em São Paulo
no ano passado, nenhum mereceu a escolha para a campanha de popularização
do teatro.
Seus contos e suas crônicas, veiculados por vários jornais,
entre os quais destaco o jornal Ultima Hora, de saudosa memória
e, mais recentemente, o Jornal da Orla, de Santos, expressam a sua postura
de repórter de um tempo mau. Um tempo mau que persiste como sombra
sobre nossas cabeças. Esta iniciativa da Editora de Cultura em
relançar esta coletânea, vem ao encontro do desejo dos amantes
da literatura, que por certo vão se deliciar com os personagens
ali retratados, muitos dos quais tão reais quanto suas vidas miseráveis.
Em toda esta obra há um toque de fino humor, uma das características
marcantes do autor, que definem bem um traço também marcante
do brasileiro: rir de sua própria desgraça. Se a obra teatral
de Plínio já o marcou com um dos mais brilhantes dramaturgos
mundiais do século passado, sua obra literária composta
de romances, contos e crônicas, por certo o colocará no rol
dos maiores cronistas e contistas brasileiros. De linguagem fácil,
acessível, popular, Plínio devassa a vida de seus personagens,
perdidos entre sonhos e as desesperanças acumuladas com o passar
dos tempos.
Após trinta longos anos, em todas as livrarias, ao alcance de todos,
podemos comemorar este relançamento de uma obra primorosa, do mais
censurado autor brasileiro. Incito o leitor a se emocionar com as tramas
e os personagens do universo de Plínio Marcos. De uma atualidade
impressionante, estas "Histórias das Quebradas do Mundaréu",
atesta bem a opinião do próprio autor: "minha obra
será atual, enquanto persistir no país a injustiça
social. " Na verdade, o lugar da obra de Plínio Marcos é
no coração e nos olhos do público brasileiro, um
lugar de onde a censura tentou retirá-lo, mas que por certo não
conseguiu. Está de parabéns a Editora de Cultura, por esta
magnífica oportunidade com que privilegia os amantes da boa literatura.
Carlos Pinto
Jornalista
(19.04.04)
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