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MUDAR É PRECISO

O processo eleitoral ora em desenvolvimento nos mostrará em outubro próximo, se o povo brasileiro realmente quer mudanças ou se prefere continuar sofrendo com essa política neo-liberal do tucanato. Na continuidade do atual modelo, só nos resta pedir a Deus que se compadeça da nossa ignorância política e, da nossa falta de vontade de tentar um novo caminho, voltado para os nossos interesses, que privilegie o desenvolvimento e traga como conseqüência uma distribuição de renda mais socializada.
Os dados que a revista semanal Carta Capital nos apresenta, -aos quais, por absoluta falta de condições financeiras de adquiri-la, grande parcela da nossa população não tem acesso-, são reveladores da nossa situação econômica. De que forma o atual governo "vem contendo" a inflação, e de como os grupos multinacionais que adquiriram as nossas estatais, estão sendo privilegiados com sucessivos aumentos nos produtos que distribuem para nossa população.
Segundo a revista, os dados por ela divulgados são de agências e institutos oficiais, portanto, dignos de credito. Nestes últimos oito anos do tucanato, os aumentos verificados no gás de cozinha, totalizaram 472%. A energia elétrica, objeto da privataria, subiu apenas 368%. A telefonia fica, também privatizada, teve aumentos sucessivos que totalizam até agora, 3.700%. As taxas de água e esgoto, controladas em sua maioria por governos estaduais, atingiram aumentos da ordem de 420%, bem como, o transporte urbano, teve suas tarifas majoradas em 300%.
A nossa divida externa que era da ordem dos 68 bilhões de dólares, está agora na casa dos 720 bilhões de dólares, ou seja, em torno de 12 vezes maior. O dólar, que no lançamento do plano real, custava R$ 0,80, hoje está bem acima dos R$ 3,00. A inflação no período cresceu 80%, mas, se fizermos o calculo acumulado, essa infanção passa dos 120%. E o desenvolvimento? E onde estão os bilhões arrecadados com a venda nas nossa estatais?
Por outro lado, o salário mínimo, mesmo sofrendo reajustes anuais, está cada dia mais distante dos cem dólares prometidos. Neste particular, estamos atrás de países como o Paraguai, a Nicarágua, o Haiti, Uruguai e outros da América Latina, cujos mínimos estão bem maiores que o nosso. O que alguns segmentos da nossa sociedade recebem mensalmente é um salário vergonha. De mínimo não tem nada. Como coloquei em artigo anterior, fundamentado em dados da GV, existe uma segmento superior a 40 milhões de brasileiros na linha de miséria, que sobrevivem com pouco mais de dois reais por dia.
O país tem hoje, em função desses equívocos de sua política neo-liberal, um contingente de mais de 12 milhões de desempregados. A população em quase sua totalidade, não tem acesso a determinados bens de consumo e, a total negação de acesso aos bens culturais. No entanto, neste exercício, o país estará enviando para o exterior, um montante superior a 100 bilhões de dólares, fruto do pagamento dos juros da nossa dívida externa, agora acrescida em mais 30 bilhões. Alem disso, não podemos nos esquecer da CPMF, que deveria ser provisória mas virou efetiva, e os recursos dela advindos que seriam para a saúde, sabe-se lá para onde são dirigidos.
Na verdade, o atual governo não tomou o poder de assalto. Foi eleito legitimamente em um pleito democrático para cumprir um programa apresentado pelos marqueteiros de então. Após eleito, esqueceram-se até do que haviam dito e escrito ou, como diziam os mais antigos, "se queres conhecer o vilão, dê-lhe o poder nas mãos". Não podemos errar novamente, pois temo que o País não agüente mais seguir nesse caminho, razão pela qual, mudar é preciso. E que Deus se compadeça de nós.

Carlos Pinto
Jornalista
(25/08/02)

 
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