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Conheci o professor João
Walter Sampaio Smolka em junho de 1974, durante a realização da IV Semana
de Estudos de Jornalismo, que era promovida pelo Departamento de Jornalismo
e Editoração, da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São
Paulo. Esta Semana de Estudos era uma de suas criações, da qual era o
Coordenador, e proporcionava a nós, estudantes ou recém formados na área,
grandes conhecimentos sobre a profissão que havíamos escolhido.
Naquele período, em que o país enfrentava um sistema político imposto
goela abaixo, era por demais importante estar diante de uma figura como
a de Walter Sampaio, a quem o jornalismo radiofônico, os telejornais e
a imprensa escrita deste Estado e deste país, devem muito da sua implantação
e progresso. Eram importantes os profissionais e mestres que eram escalados
por ele, nas Semanas de Estudos de Jornalismo, para passar conhecimento
e informações a todos nós, seus eternos alunos como eu.
Em sua vida profissional esteve em várias posições importantes, quer seja
como diretor de jornalismo das extintas TV-Excelsior e TV-Tupi, quer seja
na direção de emissoras de rádio e veículos impressos de nosso Estado.
Sempre com a mesma competência, capacidade, conhecimento e, acima de tudo,
humildade. Teve seus percalços com os guardiões da inquisição instalada
no país, mas sempre manteve a espinha ereta, a dignidade intocada, e a
honra como bastião inatingível.
Com sua vinda para Santos, após a aquisição do Colégio do Carmo, estreitamos
nossa amizade. Meus filhos foram seus alunos, sua família era nossa família
e o tempo se encarregou de manter esses laços que nem a morte consegue
desatar. Esse mesmo tempo, que nas palavras de Ulisses Guimarães, "é o
senhor da razão", nos tornou companheiros em um programa de debates políticos
que realizávamos todas as quintas feiras, na Rádio Verde Mar, em Praia
Grande, do amigo e irmão Dorivaldo Lória Junior, o Dozinho. E nessa idas
e vindas nos tornamos confidentes.
E passei a aprender ainda mais com o mestre. Quer seja sobre o caráter
e a competência de profissionais da nossa imprensa, quer seja sobre os
mais variados assuntos, sobre os quais discorria com imenso conhecimento
e precisão de dados apresentados. Nosso programa ganhou audiência e, não
raro, os telefonemas de ouvintes ultrapassavam a casa das cem chamadas.
De educação ao combalido sistema ferroviário brasileiro; de meio ambiente
aos problemas sociais; do turismo ao falido aparelho policial, Walter
Sampaio desfilava seus conhecimentos, aos quais me postava apenas como
contraponto e crítico contumaz das mentiras governamentais.
Certo dia chegamos à Radio Verde Mar para o nosso programa e levamos um
susto. Nossas críticas atingiram o alvo e a emissora estava sendo lacrada
pela Anatel, com apoio da Polícia Federal. A tese apresentada era a de
que a emissora estava irregular em sua documentação, mas nos bastidores,
ficamos sabendo os reais motivos. Após a reabertura da Rádio, que ficou
mais de um mês fechada pela democracia em vigor no país, ainda fizemos
mais alguns programas. Mas os compromissos nos obrigaram a desistir. Vez
por outra, ele ainda me telefonava me lembrando que deveríamos retornar.
Mas sempre havia por parte de um, ou de outro, um impedimento qualquer.
Assim era Walter Sampaio. Um homem, um mestre, um amigo. E todos que com
ele compartilharam, talvez melhor até do que eu, sabem o sentido exato
destas palavras. Prestemos pois, juntos, nossa homenagem ao amigo e mestre
Walter Sampaio, que no plano de sua vida total coordenou seu último ato:
o silêncio...
by: Carlos
Pinto
Jornalista
(05/05/02)
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