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Podes crer, meu lorde, a situação
está tão medonha que até nego de patuá forte
e que já provou seu valor no meio de mil e uma batalhas anda assombrado
e, mesmo se fiando na Virgem, corre o mais que pode na vã esperança
de evitar os pererecos. Eu disse na vã esperança de evitar
os pererecos, e disse bem. Porque, na verdade, não ta dando pra
ninguém escapar dos pampeiros que acontecem diariamente nas quebradas
do mundaréu e até mesmo no centro da cidade, que ta sempre
apinhada de gente e de policia, mas que nem por isso dá conta de
manter a paz.Os bandidos, em desespero, fazem e acontecem, barbarizam,
as vítimas, dando a impressão de que não estão
contando com o azar. Atacam na força bruta, trazem sempre a mão
grande, armas de grosso calibre e são dedos-moles. Com facilidade,
apagam quem ciscar na frente e, às vezes, não é nem
preciso ciscar. O caso do assalto do ônibus está aí
mesmo pra não deixar ninguém desmentir. Foi um troço
cabuloso. Os ladrões agiram com uma maldade espantosa. E por essas
e outras o povão que berra da geral sem nunca influir no resultado
fica cada vez mais aflito. Psicólogos notórios, estudiosos
da cachola humana, sábios doutores tentam analisar os fatos que
lhes batem na fuça, derramam quás-quás-quás
comprido, porém ( e sempre tem um porém), continua tudo
na mesma. Na realidade, com nego se vendo a toda hora no papo da aranha
diante da vida que anda custando os olhos da cara, com uma multidão
trampando do canto do galo até o pio do sereno pra faturar salário,
dá bobeira em uns e outros. Mas, deixa isso de lado. O que quero
contar aqui e o que pesa na balança é que a negada anda
cabreira e se cobrindo o mais que pode pra não entrar em fria.
E o caso que se deu no fim da roda de samba dos Unidos da Vila Maria e
que envolveu um jornalista e os compositores Talismã e Toniquinho
serve bem pra ilustrar esse babado. Plínio Marcos
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