|
Entendo como processo cultural,
a participação efetiva de pessoas ou grupos na elaboração e produção de
um conjunto de atividades, que propiciem aos demais setores da sociedade,
o acesso a tudo que se possa produzir em matéria de bens culturais.
Não é função dos órgãos oficiais da cultura, tão somente empurrar para
a iniciativa privada o patrocínio dessa produção e, sua conseqüente veiculação
para um grupo de iniciados ou privilegiados. A função desses órgãos é
procurar os meios, os caminhos e o patrocínio às iniciativas advindas
de pessoas ou grupos interessados em produzir um processo cultural de
acordo com nossa realidade.
Mas não é isso que vemos no que se relaciona com a Secretaria de Estado
da Cultura. Há vários anos que tal organismo dedica noventa por cento
de suas verbas e do tempo de seus funcionários, para obras de restauração
de imóveis na Capital. Nada temos contra isso, mas vai chegar a hora em
que teremos tantos espaços culturais na Capital, totalmente às moscas,
sem produções para ocupá-los.
Dos dez por cento restantes, pelo menos oito é empregado no Festival de
Inverno de Campos do Jordão, certame voltado para uma classe mais elitizada,
que pode frequentar os caríssimos hotéis e restaurantes daquela comuna.
Os dois que sobram, são aplicados em algumas empulhações, como é o caso
desse Mapa Cultural Paulista, que nada acrescenta em matéria de cultura.
Arma-se um tremendo esquema publicitário, onde a Secretaria aparece como
a mãe da criança, mas as contas são pagas pelas prefeituras municipais,
que siquer recebem qualquer centavo como ajuda de custos. Siquer aparecem
na publicidade oficial com o destaque que merecem.
As propostas apresentadas por organismos oficiais dos municípios, seja
para que eventos forem, recebem sempre uma negativa, bem como, os projetos
apresentados por entidades culturais privadas. Ainda recentemente, a Secretaria
de Estado da Cultura negou qualquer ajuda financeira ao Festival Nacional
de Teatro de Presidente Prudente, certame organizado pela Universidade
do Oeste Paulista, em conjunto com a Prefeitura Municipal daquela cidade.
Trata-se de um evento em seu nono ano de realização, portanto, nada que
esteja surgindo do nada.
O mesmo ocorre com a imensa maioria das prefeituras deste Estado e, com
isso, a produção cultural do interior está em total decadência, vivendo
apenas de empulhações do tipo desse Mapa Cultural Paulista. As que conseguem
meios vão realizando seus eventos e seus projetos, mas estas são minoria
diante do quadro de municípios que este Estado possui.
Eventos como o Festival Internacional de Música Nova, de Santos,
em sua 39ª edição; o Passo de Arte, em sua 9ª edição; as orquestras sinfônicas
dos vários municípios paulistas; os grupos teatrais amadores ou alternativos;
os corais municipais; os festivais regionais de teatro, para citar alguns
eventos, são custeados por seus promotores ou pelos organismos municipais
de cultura. A Secretaria de Estado passa ao largo, faz vistas grossas
a toda essa movimentação.
Chegada é a hora dos Secretários Municipais de Cultura se organizarem
e darem um basta nessa insensatez. A maioria dos recursos arrecadados
pelo erário estadual, provem das cidades litorâneas e do nosso interior,
onde reside a maioria da nossa população e do eleitorado paulista. O processo
cultural deste Estado, não pode continuar a servir de curral eleitoral
deste ou daquele político que venha a ocupar a Secretaria de Estado da
Cultura, assessorado por cabos eleitorais, na maioria das vezes, desprovidos
de qualquer qualidade escolar ou intelectual.
by:
Carlos Pinto
14/07/2001
Webmaster:
Bethynha
Mande esse artigo clicando abaixo:

|