JUDAS EM SÁBADO DE ALELUIA

      oh...procês ;-)       

    Recebi hoje a minha conta de luz e, com satisfação, verifiquei que toda a família fez direitinho seu dever de casa. Cumprimos a meta de racionamento estabelecida pelo sistema e, acima de tudo, cumprimos nossa parte no que se relaciona com a cidadania. Os vizinhos que consultei também fizeram sua parte. É uma pena que o governo não tenha feito a dele.
    Pode parecer ao leitor desavisado, que a continuidade de minhas críticas e observações relacionadas com o comportamento governamental, sejam motivadas por questões partidárias. A bem da verdade, sempre fui um crítico desta aliança que parte da bancada federal do meu partido, o PMDB, vem exercitando com a administração tucana.
    Sempre entendi que tal afinidade poderia nos conduzir ao atoleiro, o mesmo atoleiro em que está metido o governo federal nesta confusa situação da crise de energia elétrica. Uma crise gerada pela incompetência e pela falta de sensibilidade de saber ouvir o que os técnicos do setor vinham alertando a mais de cinco anos.
    Falta de sensibilidade para os alertas de Antonio Ermirio de Moraes em sua coluna semanal de um veículo de informação da Capital. Falta de humildade, orgulho exacerbado, tapando os ouvidos para as mais variadas informações que provinham de todos aqueles que há vários anos vinham detectando a necessidade de investimentos na área de produção.
    Não há o porque da surpresa ou do espanto. Um governo que vinha sendo alertado para o desperdício de 15% da nossa produção de energia elétrica, entre a fonte de geração e a casa dos consumidores, em função da falta de manutenção e de utilização de equipamentos obsoletos, ultrapassados, não pode ser apanhado de calças curtas. Mas o governo tucano se deixou aprisionar nessa teia por absoluta falta de investimentos.
    Enquanto sobra dinheiro para as fraudes na SUDAM, SUDENE , FINOR, e para a construção de ranários, não havia dinheiro para investimentos na área de geração de energia. Enquanto uma fábrica genuinamente nacional, instalada no interior de São Paulo, fabrica e exporta tudo que produz em matéria de equipamentos para geração de energia eólica, aquela que utiliza o vento como fonte geradora, o governo brasileiro passava ao largo e jamais procurou entendimentos para aplicar essa forma de geração no país. Será porque a mesma não polui o meio ambiente? Será porque não venta por aqui? Será porque a construção de uma usina desse tipo leva apenas um ano para instalação e custa milhões de reais a menos?
    O que será, que será? A verdade, é que ao se deparar com o tamanho do problema acelerado pela falta de chuvas, o governo caiu na real. E caindo na real, resolveu tirar mais uma lasquinha e faturar mais um pouco em cima dos coitados dos contribuintes, como se fossem eles os culpados de tanta incompetência. Tratou logo de aterrorizar a todos, criou sobretaxas e cortes totalmente inconstitucionais, elaborou uma Medida Provisória, resquício da ditadura recente, na qual rasgava a Constituição e o Código de Defesa do Consumidor. Alertado, recuou.
    A verdade é que a sociedade brasileira mais uma vez se conscientizou e tratou de fazer a sua parte, muito embora não poupe "elogios" a essa ditadura invisível. O que se observa nas ruas, bares e calçadas, é a voz rouca do povo, indignado, revoltado, batendo no governo com todas as forças, como se o mesmo não passasse de um judas em sábado de aleluia. Que outras surpresas esse governo nos reserva?

by: Carlos Pinto
25/06/2001

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