JABAQUARADAS
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Jabaquarada era um termo que se usava pra arrepiar os adversários. Se tinha um time que não vacilava era o Jabuca. E eu me lembro de muitas histórias de entortar o patuá do nosso querido Jabuca - como a do Léo, a do Célio e uma do Papa, sempre com alguém saindo de maca ou ambulância.
Jabaquarada I

A primeira dessas histórias se deu
ali no campo da Portuguesa Santista, num jogo contra o Corinthians. Muita gente
com certeza se lembra do Luizinho, um meia encardido, famoso driblador de dar
nó até na sombra dos adversários. Baixinho folgado, gozava e ria com a cara
dos rivais. Protegido do Baltazar (ex-Jabuca, ex-Flor do Norte) e do Carbone
(ex-Juventus), duas feras, era acostumado ao deboche.
Aí, já viu: naquele jogo o Luizinho começou a aprontar, e pra cima do Léo. Logo
quem! O Léo do Anglo, lá do Matadouro, o Léo cobra-criada. O Léo deu uma dura
no Luizinho; jogou ele e a bola pra fora do campo. O jogador do Corinthians
caiu, levantou e pegou a bola certo de que ia bater lateral, mas não teve espaço.
O Léo abraçou o Luizinho contra o alambrado e deu várias peitadas no folgado;
quando o Léo o largou, ele caiu no chão. O Baltazar e o Carbone se aproximaram,
em socorro do companheiro deles. Mas o Léo encarou; com ele, tinha pra qualquer
um; Baltazar e Carbone maneiraram. O Luizinho foi tirado do jogo de maca e não
voltou mais. Deu 1x0 pro Jabuca.
Jabaquarada II

De outra vez, o Corinthians estava jogando no Parque São Jorge contra o Jabaquara. O Almir Pernambuquinho, craque de seleção e metido a bravo, estava no time deles. Num lance meio esquisito, ele encostou o pé no Célio, do Jabuca. Garoto valente ali do Marapé, o Célio não afinou, revidou na hora. O Almir ficou louco de partir pra cima do Célio. Ele saiu correndo, o outro correndo atrás. Aí é que não prestou pro craque do Corinthians. O Célio deu um pulo pra cima e mandou um pontapé na cara do Almir. Mais um corinthiano que saiu de maca pra não voltar pro campo durante o jogo.
Jabaquarada III

Noutra ocasião, houve um jogo de
juvenis entre o Jabaquara e Americana, numa parada sempre indigesta. Dessa vez
não foi diferente. Estavam jogando no campo do Americana (que ficava atrás do
campo do Santos). O treinador deles, Diogo Rebolo, resmungava na beira do campo
enquanto o nosso, o Papa, xingava incentivando seus craques. Nisso, um gordão
grande, torcedor do Americana, se aproximou do Papa e começou a provocar o velho,
dizendo desaforos; achincalhava e ameaçava bater no Papa.
O Papa olhou pra torcida do Jabuca e viu o Nego Orlando, que tinha dois metros
de altura e era o valente entre os valentes. O Papa chegou no Nego Orlando e,
como quem não quer nada, perguntou se ele conhecia o gordão provocador. O Nego
Orlando nunca tinha visto o sujeito. "Pensei que conhecia", disse o Papa, "ele
está dizendo que o teu sobrinho Ciciá é o maior gaveteiro que existe". Não prestou.
O Nego Orlando não quis saber de mais conversa. Pegou o gordo. Deu porrada pra
valer. O sujeito não viu o jogo acabar, foi embora de ambulância.
Plínio Marcos