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As denúncias formuladas
pela sra. Nicéia Camargo contra seu ex-marido o Prefeito Celso Pitta, e demais
integrantes de seu governo e do poder legislativo paulistano, trouxeram apenas
um fato novo, já que a maior parte de sua cantilena era de pleno conhecimento
de todos nós. Trata-se de um embroglio que já perdura a vários meses, a partir
das denúncias de ambulantes e comerciantes da Capital.
Ocorre que no seio
dessa nova carga denuncista contra a atual administração municipal de São Paulo,
formuladas pela ex-primeira dama, surgiu um fato novo que envolve a figura do
ex-Senador Gilberto Miranda, que toda vez que surge na mídia é por estar envolvido
em alguma coisa cujo odor, nunca é bem aceito pela sociedade.
Segundo Dona Nicéia, o ex-Senador andou pressionando seu ex-marido, para que
saldasse a dívida municipal para com a Construtora OAS, de propriedade de um
ex-genro do Senador Antonio Carlos Magalhães, num flagrante ato de "lobismo",
que parece ser a marca registrada do sr. Gilberto Miranda. Ainda no último dia
23 de março, o Jornal O Globo, registrava uma nova denúncia na qual insinua
que o Ex-Senador e seu irmão, Egberto Batista, podem estar por trás das escutas
clandestinas realizadas no BNDES e, mais recentemente, na sede da Brahma.
As escutas a que se refere o jornal do sr. Roberto Marinho, são as relacionadas
com o escândalo da compra de votos para aprovar o processo de reeleição do Presidente
FHC, da divulgação de supostas contas nas Ilhas Cayman pertencentes aos senhores
FHC, Mário Covas e Sérgio Motta, de tráfico de influência na Prefeitura paulistana
e esta última, relacionada ao vazamento de um grampo colocado na sede da Cervejaria
Brahma.
Dentro do bombardeio efetuado por Dona Nicéia, apareceu um outro assunto diretamente
ligado ao sr. Gilberto Miranda. Nada mais, nada menos, que a famosa Ilha das
Cabras, que pertencia ao Parque Estadual de Ilhabela, litoral norte do Estado,
que segundo o então delegado do Serviço de Patrimônio da União, sr. José Luiz
Soalheiro, é utilizada pelo ex-Senador através de concessão, e que segundo divulgou
o programa Globo Repórter, vale hoje uns vinte milhões de reais.
Para poder dispor desse patrimônio dos brasileiros, a seu bel prazer, necessitava
o sr. Gilberto Miranda de um favorzão do Governo de São Paulo, favorzão esse,
que só poderia ser conquistado através da aprovação de uma Lei, via Assembléia
Legislativa do Estado. E o nosso ínclito ex-Senador recorreu a quem? Ao nosso
ex-Deputado Nelson Fernandes.
Para salvar o amigo Gilberto Miranda das garras de uma ação cível pública patrocinada
pela Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo, ação essa de número 154, iniciada
em 02 de maio de 1991, na qual o ex-Senador figura como réu por ter desfigurado
a referida Ilha das Cabras com algumas benfeitorias para sua comodidade, o nosso
ex-Deputado Nelson Fernandes apresentou um projeto de lei no legislativo paulista,
excluindo a referida ilha do Parque Estadual de Ilhabela.
Valendo-se do fato de pertencer então, ao PSDB, partido que governa São Paulo,
nosso ex-Deputado não teve muito trabalho para transformar sua propositura no
Projeto de Lei n. 724/96, aprovado pela maioria da Assembléia Legislativa em
13 de agosto de 1997, e posteriormente transformado em Lei após a sanção do
Governador Mário Covas. Em sua justificativa ao apresentar esse mostrengo que
agride o meio ambiente de nosso litoral, o sr. Nelson Fernandes argumenta que
a Ilha das Cabras não se enquadra nas especificações do Parque Estadual de Ilhabela.
Em sua argumentação vai mais além. Diz que só deverão ser consideradas áreas
do referido Parque Estadual, aquelas que têm "atributos excepcionais da natureza,
conciliando a proteção integral da floresta, da fauna e das belezas naturais
com a utilização para objetivos educacionais, recreativos ou científicos". E
segue em frente: " Ocorre que, é público e notório no local -desde tempos imemoriais-
não havia, como ainda não há, resquício de floresta a preservar naquela diminuta
ilha, que não se enquadrava pois, como ainda não se enquadra, no preceito preservacionista
supracitado, do qual deve ser excluída."
No entanto, o biólogo João Paulo Capobianco, do Instituto Sócio-Ambiental, bem
como o promotor Cléver Vasconcelos, da Promotoria do Meio Ambiente, tem opinião
diversa a esta apresentada pelo sr. Nelson Fernandes. Para o biólogo, trata-se
de um absurdo o que foi feito. Para o promotor, " o mais grave é que fizeram
tudo isso na calada da noite, sem a apreciação do CONSEMA - Conselho Estadual
de Meio Ambiente".
Com a promulgação dessa Lei, o ex-Senador Gilberto Miranda além de se livrar
da ação cível impetrada pela Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo, ganhou
a tão desejada liberdade para executar na Ilha das Cabras o que bem desejar.
( fonte : Jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, edições de 03/09/97).
A questão da Ilha das Cabras estava um tanto quanto esquecida. Vai voltar a
agitar o noticiário a partir destas denúncias da sra. Nicéia Camargo e, por
certo, vai haver a necessidade de explicações de parte do ex-Deputado Nelson
Fernandes, sobre sua participação no episódio. Há um antigo adágio popular,
muito repetido por nossos pais que diz o seguinte: "Diz-me com quem andas,
e te direi quem és." (by Carlos Pinto) - 01/04/2000
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