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Não sei quem é aquele funcionário da Petrobras
que a câmera pegou chorando, vendo a plataforma afundar. Pode ser um funcionário
antigo, pode ser um dos “terceirizados”. Também não sei por que chorava.
Acho que nem ele sabia.
Pensava nos colegas mortos, estava apenas impressionado com o espetáculo
da grande armação indefesa morrendo lentamente como um bicho, chorava
de frustração por não ter podido salvá-la, não importa. Era um homem emocionado.
E portanto um retrógrado, uma anomalia anônima que obviamente não aprendeu
a lição destes últimos anos: a de que não se deve ser sentimental com
a Petrobras.
A lição é que esses sentimentos ultrapassados – orgulho do que é nosso,
a idéia de pertencer a algo que representa mais do que nossas pequenas
vidas, ou dono de algo que representa mais do que a ambição do momento
e o lucro – são os que nos atrasam, porque negam a realidade e negam os
tempos.
O homem que chorava é um anti-histórico. O homem que chorava é um desajustado.
O Brasil nunca vai chegar ao Primeiro Mundo com homens que choram assim.
Não quero nem pensar que o choro do homem era mais do que sentimental.
Que era um choro informado, um choro sofisticado, um choro indignado,
de quem assistia sem poder fazer nada a mais um episódio do assassinato
da Petrobras por ela mesma. Prefiro a pieguice. Prefiro que o homem também
não saiba por que chorava. Prefiro as lágrimas sem retórica, sem arrazoado,
até sem razão. Quem sabe a pieguice não seja a nossa última resistência?
Talvez a alternativa para o que querem fazer de nós sejam coisas do pior
gosto possível, coisas antigas, embaraçosas – idealismo, patriotismo,
essas infantilidades. Talvez nossa única defesa, enquanto tentam nos arrastar
para o mundo sem sentimentalismos obsoletos dos grandes, seja espernear,
e chorar, como crianças.
Mas o homem que chorava também podia estar chorando porque tem vergonha
na cara. Neste caso sim, estaríamos, decididamente, diante de uma raridade
nacional.
texto enviado por Osmar (oam) através de e-mail.
Webmaster: Bethynha
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