É FIM DE FEIRA

"É fim de noite,
Nossos sonhos vão embora......"

A recente entrevista do Deputado Marcos Mendonça, ilustre Secretário de Estado da Cultura, ao jornal Folha de São Paulo, é um documento inconteste da má gerência vivenciada nos últimos sete anos, no referido setor. Saindo do cargo, -pelo menos era esse seu objetivo ao conceder a referida entrevista- para voltar à Assembléia Legislativa e tentar um novo mandato, o Deputado Marcos Mendonça passa à história da cultura paulista como um dos piores, senão o pior, gestor da referida pasta. Sem projetos definidos, claros, transparentes, e com alguns assessores pra lá de incompetentes, mais voltados para a vindita contra artistas e profissionais que costumam criticar a falta de visão e objetividade do órgão.
Definir a sua gestão como uma linha de excelência, de ampliação de acesso e democratização da cultura espalhando-a pelo interior de São Paulo, é na verdade uma piada mais deliciosa que as anedotas do Jo Soares. Se algo pode ser elogiado em sua gestão, é a parte referente à revitalização e restauração de imóveis importantes, como o Teatro São Pedro, a construção da Sala São Paulo, as restaurações da Pinacoteca do Estado, da Bolsa de Café de Santos, do Arquivo do Estado e do antigo prédio do DOPS, obra em continuidade.
Mas é neste particular que as coisas também não estão muito claras. Setores da imprensa e da sociedade, estranham que, ao que parece, uma única empresa tenha sido a vencedora de todas essas licitações e, para isso, existe a afirmativa de que "essa empresa, é hoje a única no Brasil que tem requisitos, atestados e currículo para tal obra com padrão internacional." Como não sou versado nesse tipo de conhecimento, apenas estranho que, com tantas obras de restauração que se fazem pelo país, exista apenas uma com todo o gabarito necessário. Seria empobrecer demais a nação.
Seria interessante que o Deputado Marcos Mendonça, elencasse as cidades onde construiu bibliotecas e teatros, no interior paulista. Realmente desconheço e, acho interessante essa nova postura política: a de fazer obras e não divulgá-las. Sua assessora, Analy Alvarez, em recente matéria publicada no jornal A Tribuna, de Santos, afirma que o teatro amador paulista nunca esteve tão bem amparado pela Secretaria e, nunca atingiu uma excelência como a de hoje.
Ou eu estou vivendo em outro Estado e não tenho mais as informações precisas que sempre tive, ou alguém está mentindo. O recente Festival da COTAESP, realizado em Santos, é uma prova inconteste da falta de interesse da Secretaria de Estado da Cultura para com o setor. A qualidade despencou e não por culpa dos amadores, mas sim, pela falta de um amparo traduzido em cursos, patrocínio financeiro, doação de livros e textos, ciclos de palestras, bolsas de estudos, e tudo mais que foi extirpado desse programa ao longo dos anos, infelizmente, após a redemocratização.
De resto, para não me alongar, somos informados que Milú Vilela não aceitou o cargo para substituir o Deputado Mendonça, mas se analisar-mos o fato de que todo o orçamento para 2002 já está comprometido, melhor será colocar um office-boy para gerir a referida pasta. Isto posto, ele terá que continuar no cargo. Em linhas gerais, estamos diante de um fim de feira, uma atuação melancólica de quem por sete longos anos, não teve a competência necessária para ouvir aqueles que realmente entendem do setor. Quem acaba pagando por esse fim de feira é a população do Estado, principalmente do interior, que vem sendo relegada durante estes últimos sete anos, a receber as migalhas que caem da mesa do poder cultural paulista. Mas quem aguentou sete, aguenta mais um aninho...

Carlos Pinto
Jornalista
(19.01.02)

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