ESSES MESTRES DO TEATRO

 

Quando se fala em teatro santista, fala-se de Patrícia Galvão. Não se pode deixar de falar da Pagú, a grande Pagú, um anjo anarquista que veio ao mundo para nos inquietar (que Deus seja louvado também por isso). Ela foi me buscar no Circo Pavilhão Liberdade, ali no Macuco (pra onde, depois de ter mambembado muito pelo interior, voltei).
Uma noite, depois de uma função, fui avisado que uma senhora estava me procurando. Era a Pagú. Eu não a conhecia, mas ela se explicou: um ator da companhia dela tinha ficado doente, ou sei lá o que, e ela precisava de um garoto para fazer um pequeno papel na peça, no dia seguinte, de manhã. Queria saber se dava pra eu fazer. Só sendo mesmo de circo... Tinha que dar. Era uma peça bonita, acho que a peça infantil mais bonita do mundo, "Pluft, o fantasminha", de Maria Clara Machado. Deu, e como deu!
Mas deixa isso de lado. O que quero contar e que pesa na balança é que fui conhecendo o pessoal do teatro amador de Santos. Meu Deus, que primeiro time! Paulo Lara, Vasco Oscar Nunes, Júlio Bittencourt (o pai do Julinho músico), o pessoal do Clube de Arte, Oscar von Pfull, Gilberta von Pfull, Nélia Silva. Tanta gente que sabia das coisas! Cacilda Becker, Cleide Yaconis, Miroel Silveira, Castor Fernandes, o poeta Narciso de Andrade, Roldão Mendes Rosa, artistas plásticos do gabarito de Nelson Andrade, Mário Gruber, Aluísio do Mosaico. Tanta gente como a atriz Terezinha de Almeida, Creusa Carvalho, os atores Sérgio Mamberti e Cláudio Mamberti, os cenógrafos Lúcio Menezes e Newton Souza Telles.
E vieram outros, muitos outros. Gozado: uma geração ia embora e vinha outra do mesmo naipe. Depois dessa geração veio Pedrinho Bandeira, campeão de literatura infanto-juvenil; José Carlos Melhém, o advogado amante das artes; Hercílio Tranjano, o publicitário filho de um grande médico. Aliás, o pai do Hercílio não era só grande médico, era o Dr. Aniz Tranjano, médico do Jabaquara; ele morreu em campo atendendo um craque do nosso Jabuca.
Vieram a Bete Mendes, também torcedora do Jabaquara e estrela de primeira grandeza da televisão e do teatro; Ney Latorraca, um astro; Nuno Leal Maia, dublê de artista e jogador da Portuguesa Santista. Vieram Jandira Martini, Eliana Rocha, Neide Veneziano. Todos fizeram carreira vitoriosa. Veio a geração do Carlos Pinto, um genial instigador cultural e teatral de Santos.
Vieram o Marcão Rodrigues, atualmente um dos melhores diretores de teatro do Brasil; a Carolina de Freitas; O Tanah Correa, que acaba de assombrar os portugueses com um espetáculo que dirigiu lá, no Porto. Portugal descobriu o Tanah nas areias de São Vicente... Quer dizer, ele foi procurado na praia por alguém que viu uma peça de muito sucesso na Baixada, dirigida por ele. Agora ele está convidado para coordenar um projeto teatral na cidade lusa no ano 2000, quando vai dirigir um empreendimento para tornar Portugal e o Porto num marco cultural da Europa. Vai lá, Tanah Correa!
E assim vai continuando a safra de artistas do celeiro santista, uma curriola enorme que cresce a cada ano. Vão aparecendo os cupinchas do Toninho Dantas, figuras que instigam o teatro santista como fizeram Patrícia Galvão, Paulo Lara, Carlos Pinto. E já vão surgindo o Zeca do Marcão Rodrigues, o Alexandre e o André do Tanah Correa... A turma de artistas que surge sempre na nossa Baixada Santista, graças a Deus, não acaba nunca.

by: Plínio Marcos

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