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Até por dever de ofício,
acompanhei todos os debates realizados pelos presidenciáveis e,
também, pelos candidatos ao Governo de São Paulo. Estranhamente,
em todos eles, a política cultural siquer chegou a ser objeto de
análise, tanto pelos candidatos, quanto pelos que foram convidados
a realizar perguntas.
Para ser sincero, apenas no último debate dos candidatos a Governador,
é que o sr. Carlos Apolinário arriscou uma tímida
pergunta sobre o setor, que, timidamente, foi respondida pelo sr. Geraldo
Alckmin. Uma enrolação sobre abrir as escolas estaduais
aos finais de semana para a realização de eventos que ambos
entendem como sendo cultural.
No tocante aos presidenciáveis, ninguém se arriscou nesse
campo. Fugiram dele como o diabo da cruz, uns pelo fato de siquer possuírem
um mínimo de escolaridade que os credencie ao cargo e, outros,
simplesmente porque tal tema não lhes interessa. Ficaram apenas
no terreno da economia, da segurança pública, do emprego,
da educação e da saúde, setores em que, demagogicamente,
podem continuar enrolando a sociedade.
Relembro então as eleições francesas, onde o programa
cultural do candidato, é fator preponderante para sua vitória
ou derrota. Assim foi com Miterrand, eleito e reeleito em função
dos seus programas para a área cultural e, para a abertura de novas
vagas no mercado de trabalho. Se foi reeleito quantas vezes pode, é
sinal de que cumpriu com sua plataforma prometida. Pena que sua saúde
debilitada, o retirou de cena antes de cumprir totalmente com seus programas
de governo. Isto porém, não evitou que a França reassumisse
o posto que hoje ocupa entre as nações mais desenvolvidas
do planeta.
Economia e cultura andam juntas em qualquer nação que queira,
realmente, assumir um posto de destaque no cenário mundial. São,
em minha visão, as colunas mestras do desenvolvimento social e
político de um povo. Um povo culturalmente forte, por certo, alem
de produzir mais e de melhor qualidade, terá também uma
consciência política mais atilada, e não se deixará
levar pelos gritos histéricos de alguns candidatos, cuja postura
se avizinha a de um outro semi-escolarizado que encaminhou o mundo, para
a segunda grande guerra. Tem um outro mandatário de plantão,
ávido para passar à história como o causador da terceira.
Democracia não se constrói com palavreado burguês,
cheio de promessas vãs e falta de sinceridade. O que se vê
hoje, são apenas meras disputas pelo poder em busca das benesses
que por certo dele advirão. O povo vai continuar amargando o sofrimento
de não ter qualquer acesso aos bens culturais, e ter que se contentar
com os parcos recursos que são destinados às áreas
sociais. Enquanto os nossos candidatos e governantes continuarem trilhando
o caminho de siquer discutir programas e, quando eleitos, cortar os recursos
para o setor de produção cultural, vamos continuar amargando
essa infelicidade que nos conduz a permanecer eternamente como um país
do terceiro mundo.
Mas de certo modo, há uma certa coerência em seus postulados.
Não se pode discutir aquilo que não se conhece e, sobre
o qual, jamais se interessaram. É só olhar para o país
e para o futuro que nos aguarda.
Carlos Pinto
Jornalista
(14.10.02)
  
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