A literatura dramática brasileira é rica em autores de grande competência e qualidade. Os exemplos são inúmeros, onde ressaltam os nomes de Nelson Rodrigues, Oduvaldo Viana Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Plínio Marcos, Jorge Andrade e Benedito Ruy Barbosa, entre outros.
Jorge Andrade e Benedito Ruy Barbosa, perfilharam um filão riquíssimo, onde retomaram a história dos imigrantes, da saga do café e, das confrarias religiosas. Andrade, descendente de uma das famílias dos barões do café, desde cedo abandonou a carreira de fazendeiro para se dedicar aos estudos do teatro e da literatura teatral. Nos legou uma vastíssima coleção de textos teatrais onde aborda, através de estafantes pesquisas, os assuntos relacionados com as confrarias religiosas desde a época colonial, passando pela questão agrária do café. Entre suas obras ressaltamos "As Confrarias", que tive o prazer de produzir sua estréia nacional para o Teatro Estudantil Vicente de Carvalho; "Pedreira das Almas"; "Os Ossos do Barão", entre outras.
Benedito Ruy Barbosa, após o lançamento de algumas peças teatrais que não atingiram os resultados alcançados por Jorge Andrade, dedicou-se ao gênero das novelas, onde tem apresentado trabalhos de primeira qualidade, recriando épocas da história paulista e brasileira, investigando os resultados dos imigrantes, notadamente da colônia italiana, força pujante que tanto colaborou para a forte estruturação econômica de São Paulo. Benedito nos brinda atualmente com sua novela "Esperança", cujos capítulos relacionados com a eclosão da Revolução de 1932, foram brilhantes.
De uma certa forma, estes trabalhos literários de recontar a nossa história são de profunda validade e, importantes para que não percamos no esquecimento, as nossas raízes históricas, culturais e religiosas. E assim é no campo político. Há alguns anos criou-se através da atividade política, o termo "cristianização". Trata-se de um episódio de nossa história, onde o candidato presidencial da situação chamava-se Cristiano Machado. De tal forma foi endeusado e, posteriormente, descartado no processo eleitoral, dele advindo o referido termo "cristianização".
Se de um lado temos o Benedito Ruy Barbosa, nos fornecendo dados históricos sobre o processo da colonização italiana e sua influência forte e positiva na questão agrária de São Paulo, por outro estamos observando o caminho deste processo eleitoral que se inicia. Sem querer ser pitonisa, mas apenas cometendo um ensaio de futurologia, quero crer que a história política brasileira vai reviver uma nova "cristianização". Começa a ficar claro no horizonte, para que oceano correm as águas de vários rios partidários. Se costuma dizer que uma candidatura majoritária precisa ser engolfada pela onda e, ao que parece, tal onda já se apoderou da candidatura de Ciro Gomes. Pode ser muito cedo para tais ensaios de futurologia, mas o meu faro político começa a me provocar, no sentido de que, José Serra, será o personagem ativo do reviver histórico da "cristianização".
E parodiando Plínio Marcos, um dramaturgo que se especializou em contar a história dos deserdados pela estrutura social brasileira, José Serra, está " sentindo o aroma da perpétua", razão pela qual, já começa a criticar a atuação da própria administração em que foi peça importante até agora. Que a história é repleta em repetições de fatos interessantes, lá isso é. E se meu faro estiver certo, teremos aí mais material para os novos dramaturgos interessados em contar para as novas gerações, o que se passou na história deste país. Quem viver, verá......

Carlos Pinto
Jornalista
(14/07/2002)


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