COMEMORAR
A FALÊNCIA DO TRABALHO
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Quando a idiossincrasia americana silenciou Sacco e Vanzetti, os primeiros líderes sindicalistas das Américas, propiciou tempos depois a formatação das comemorações do Dia do Trabalho, que nós, brasileiros, costumamos celebrar a 1º de maio de cada ano.
No painel da história nacional, foi uma data cujas celebrações atingiram sempre um patamar de grandiosidade, organizadas pelos sindicatos e associações de classe profissionais, com programações as mais variadas com a finalidade de ressaltar que a força do proletariado estava em sua união, na luta e conquista de melhorias sociais para os trabalhadores em geral.
No entanto, de há muito o nosso 1º de maio perdeu seu brilho e, nos dias de hoje, sua comemoração é uma pálida lembrança do que se fazia em passado não muito distante. É bem verdade que os líderes sindicais de hoje são outros, um tanto quanto distanciados de suas categorias, mais apegados às mordomias de que possam usufruir e, não raro, se constituem em verdadeiros Calabares de suas entidades representativas.
É claro também, que existem exceções a esta regra, poucas é verdade, mas existem. No período anterior a 1964, nossos sindicalistas não moravam em apartamentos de cobertura e nem tampouco, desfilavam em belos carros importados. Ser pelego naquela época constituía-se na exceção. Hoje parece que virou regra.
A perseguição movida a verdadeiras lideranças sindicais no período pós 64, e a adoção de uma política colonialista de origem alienígena contra as associações de classes, introduzida através de interventores colocados à revelia dessas classes, redundou num total desvirtuamento da atividade sindical no Brasil, minando por dentro a força dessas entidades de defesa do trabalhador.
Hoje, nada se tem para comemorar, pois nem trabalho existe para a classe operária nacional. Estamos nos afogando na maré do maior índice de desemprego já verificado em nossa história, que nos coloca na pouco honrosa lista dos três maiores países de desempregados do planeta, perdendo apenas, por enquanto, para Índia e Rússia.
Comemorar então o que? A venda ou doação do patrimônio nacional, construído pela força de trabalho do homem brasileiro por esse governo que ai está ? Comemorar a nossa entrada nesse processo de globalização que torna os países ricos cada vez mais ricos, e nós, os pobres, cada vez mais espoliados? Viramos masoquistas?
É bem verdade que o governo do senhor FHC foi eleito legalmente pelo povo, portanto, deveríamos constatar que é legítimo. Mas será legítimo aquele que se elege para determinado posto de representação, ostentando uma proposta de caráter social, e que tão logo assume o posto parte para desenvolver ações totalmente diversas das propostas apresentadas em sua campanha? O que dizer então dos sindicalistas de fachada, que apoiam esse governo discricionário, que provoca hoje tanto mal estar à sociedade brasileira? Chamá-los de pelegos é o mínimo que me vem à cabeça.
O Dia do Trabalho está, portanto, transformado em um feriado desnecessário. Serve apenas como ponto de referência do passado glorioso de nossas entidades sindicais, e de várias lideranças de então. Sem qualquer comemoração que lhe dê autenticidade, vai aos poucos se transformando em uma data a mais no calendário gregoriano. Enquanto não surgirem novos Saccos e Vanzettis para sacudirem esse sindicalismo de resultados negativos, vamos continuar a observar o proletariado nacional perdendo suas suadas conquistas, obtidas até com o sacrifício de muitos líderes do passado, e vendo a colcha de retalhos em que transformaram a CLT e a atual Constituição Brasileira, caminhar para suas descaracterizações totais.
(by: Carlos
Pinto)
26/05/2000

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