DESENCANTO
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Eu faço versos como quem
chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto
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Meu verso é sangue.
Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias.
Amargo e quente,
Cai, gota a gota,do coração.
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E nestes versos de angústia
rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
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- Eu faço versos como
quem morre.
(de Manuel Bandeira - Teresópolis,
1912)
Colaboração: Cristina (calm)
Webmaster: Bethynha
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