Fazer
amor é lindo, é
sublime, é encantador,
é
esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa
que alguém te puxa
os
cabelos da nuca...
Chama-te de nomes que eu não
escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha
de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só
dar por dar.
Dar sem querer casar...
Sem querer apresentar pra
mãe...
Sem querer dar o primeiro
abraço de Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta
a coluna
vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é
estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não
der pra ele hoje, vai
dar amanhã,
ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você
vai acabar dando, não
tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas,
sem esperar ouvir carinhos,
sem esperar ouvir
futuro.
Dar é bom na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados,
talvez anos.
Mas dar é dar demais
e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar
um "eu te amo" baixinho
perdido no
meio do escuro.
É não ganhar
uma mão no ombro quando
o caos da
cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém
pra querer casar, pra
apresentar pra mãe,
pra darão primeiro
abraço de Ano Novo
e pra falar: "Que que
cê acha, amor?"
É não ter companhia
garantida pra viajar.
É não ter pra
quem ligar quando recebe uma
boa
notícia.
Dar é não querer
dormir encaixadinho...
É não ter alguém
pra ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável...
Dê mesmo, dê sempre,
dê muito...
Mas dê mais ainda, muito
mais do que qualquer
coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior
tesão...
Esse sim relaxa, cura o mau
humor,
ameniza todas as crises e
faz você flutuar...
(Luís
Fernando Veríssimo)