EXERCITANDO A BOLA DE CRISTAL - II

Em artigo anterior, propositalmente, deixei de comentar a
hipótese de uma nova tentativa de adoção do parlamentarismo, como forma de continuidade
tucana no governo federal. Esperava-se que a idéia fosse lançada por "outros"
ou por algum partido aliado, que em princípio obteria uma certa resistência
presidencial, mas, que no correr do debate, a idéia fosse aceita pelo governo,
com um certo ar de "docemente constrangido."
Porém, para surpresa geral dos analistas, partiu da própria presidência um recado
aos seus companheiros de partido, lembrando-os de que, o programa tucano, é
essencialmente parlamentarista. Vai daí, o xadrez da eleição presidencial de
2002 começa a definir as próximas jogadas.
Continua prevalecendo a hipótese de que FHC se afastará da presidência dentro
do prazo legal da legislação e, poderá concorrer a uma cadeira no Senado por
um destes Estados : Goiás, Distrito Federal ou Tocantins. No momento, por diversas
razões, parece que Tocantins oferece as melhores condições de não ocorrerem
surpresas eleitorais.
Quanto a Marco Maciel, nosso Vice Presidente, também se afastará dentro do prazo
legal e deverá concorrer ao Senado por Pernambuco ou, ao próprio governo estadual
pernambucano. Com isso, assume a presidência o atual presidente da Câmara dos
Deputados, Aécio Neves, com a função precípua de terminar o segundo mandato
tucano à frente da República brasileira.
Se a proposta parlamentarista for aceita pelo Congresso e, posteriormente, aprovada
em novo plebiscito popular; se FHC conseguir seu intento de se eleger para o
Senado, seja por qual Estado venha a concorrer, é quase certo que "docemente
constrangido", também aceitará sua indicação pelo Congresso, para o cargo de
Primeiro Ministro. Daí então, teremos a continuidade tucana.
Nesse emaranhado de elucubrações, o atual quadro político nacional se apresenta
dividido, em nossa visão, em pelo menos três grupos que disputarão a corrida
presidencial. De um lado teremos a parte maior do PFL sob a liderança de ACM,
em conjunto com partes do PMDB comandadas por Sarney e por Itamar Franco, com
alguns aliados oriundos da esquerda e o PPB de Maluf.
Outro grupo, comandado pelo PSDB, terá a seu lado o PMDB de Jader Barbalho e
a parcela menor do PFL, coordenada por Jorge Bornhausen. Por último, teremos
o grupo encabeçado pelo PT, trazendo consigo o PPS, o PSB, a parte autêntica
do PMDB e outros grupos de esquerda. Neste quadro todo, falta encaixar pra que
lado irão o PDT de Brizola e o PTB.
Mas como se trata de um exercício de bola de cristal, em função da movimentação
atual do jogo de xadrez palaciano, é bem possível que em próxima oportunidade,
novos lances nos possibilitarão novos encadeamentos e novas visões daquilo que
está sendo preparado em Brasília, para enfiar pela goela abaixo da população
brasileira.
by: CARLOS PINTO
Jornalista
20/03/2001
Webmaster: Bethynha
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