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BOCHICHOS DAS QUEBRADAS A Escola de Samba Império da Baixada Santista, que é comandada pelo senhor pagodeiro Dráuzio, também manjado por lorde Brilhantina, fez mais um aniversário. O Dráuzio, que sabe das coisas e que dedicou toda a sua vida a incrementação do samba na formosa ilha de Iemanjá, não deixou barato o aniversário da sua escola. Organizou um retumbante concurso pra escolher a melhor passista. O concurso que se chamou Sandália de Prata, abilolou tudo quanto foi nego que botou as botucas no remelexo das candidatas. E podes crer, meu lorde, que não foi mole escolher as melhores. Meus pontas de lança que conferiram a festa voltaram entusiasmados. Juram que o Dráuzio continua o mesmo festeiro dos tempos em que oferecia peixada pros cupinchas lá naquele chalé da linha da máquina. Mas, é isso ai, meu lorde. O Dráuzio é gente fina. Se ele fosse carregar no peito todas as medalhas que ganhou desfilando na avenida, ia ficar parecendo lata de azeite estrangeiro. O Brilhantina foi por muitos anos o melhor porta-bandeira do Estado. Mas, deixa isso de lado. A biografia do grande sambista Dráuzio eu escancaro qualquer dia em reportagem. Hoje aqui o que quero contar e o que pesa na balança, é que a Sandália de Prata foi vencida pela Laurinha e o segundo lugar ficou com a Tuna, ambas gloriosas passistas da também gloriosa Escola de Samba Mocidade Alegre do Bairro do Limão, dirigida como manda o figurino por esse baluarte do samba paulistano que é o Juarez Cruz. A Ilha de Samba e Bola Podes crer, meu lorde, teu chapa aqui sabe das mumunhas porque nasceu e se criou no chão de terra firme da formosa ilha de Iemanjá, que é Santos. Então, tu já viu. Em se tratando de samba, futebol, pagode e zoeira legal é comigo mesmo. E é por essas e outras que te dou as dicas das boas jogadas, onde tu, que só pega a pior, tu que só come bagulho catado na feira, tu que mora na beira do rio e quase se afoga toda vez que chove, tu que só berra da geral sem nunca influir no resultado, pode com tua grana pouca, quase nenhuma, se divertir às baldas. Que, afinal de contas, embora não pareça, tu também é filho de Deus. Toma nota, se tu quiser ver um jogão de futebol com craques de seleção: pode baixar no Canal 3, em Santos, sábado à tarde. Às dezesseis horas, Náutico e Ébano vão tirar um racha já tradicional há muitos anos. Coutinho, Edu, Dé, Osmar, Lorico ( o genial Lorico tão injustiçado pela Portuguesa Desportes), estarão defendendo o Ébano. Ramos Delgado, Marinho, Serginho (ex-Palmeirense), Edvard (goleiro do Santos), Nenê, Léo e outros formarão pelo Náutico. Nesta parada, costumam aparecer craques do passado como: Olavo, Cláudio, Pagão, Dorval. Uns vão ver se pegam baba, outros só para assistir. Mas, lá, a pelada é pra valer. E te garanto, meu lorde, que não tem mumunha. Não entra na fita suborno branco, nem bulhufas dessas que andam tão em moda no futebol profissional. Imperial No Rio de Janeiro, parece que o pessoal do Museu da Imagem e do Som anda de memória fraca. Por exemplo: esqueceram que o teatro lá andava caindo pelas tabelas e que foi o Carlos Imperial que deu um embalo na arte cênica. Foi o movimento que o Gordo iniciou com a montagem de "Um Edifício Chamado 200", do Paulinho Pontes, senhor dramaturgo, que salvou o teatro carioca esse ano. O Imperial que só transa em termos grandiosos, sacudiu o ambiente, produziu várias peças, todas de autores brasileiros, deu condição de trabalho pra dezenas de atores que estavam sendo massacrados pela falta de mercado, que consistia só na oferta da Tevê Globo, que, devido a isso, amesquinhava excelentes artistas com salários pequenos e humilhantes. Mais fez o Gordo Imperial. Falta espaço pra escancarar tudo o que esse produtor corajoso fez pelo teatro carioca e brasileiro. Badalou, fez e aconteceu. Mas, seu nome não foi mencionado para o prêmio. Talvez seja porque o Gordo fez tudo curtindo e sem esquentar a mufa. Faz por gosto e quem trampa nessa base não faz tipo de intelectual e aí não pega bem dar um prêmio de Museu pra um cara nessas condições. Mas, deixa andar. O Imperial sabe das coisas. E por certo já se tocou que nada é melhor que um dia atrás do outro pra provar quem é que tem razão. O público que paga entrada já reconheceu que o Gordo é quem dá as cartas no atual teatro carioca. E é isso que pesa na balança. Plínio Marcos
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