
| O bar estava vazio. La no fundo,
solitariamente sentado no fim do balcão estava ele, cabisbaixo, olhar perdido
em algum canto do bar, vestido no terno preto de todos os dias. O cabelo
engordurado emoldurava o rosto marcado que salientava o nariz bem pronunciado.
Ela entrou: pele clara, corpo deformado pela idade e o peso, mas ainda aparentava alguma sensualiade. Os cabelos também engordurados, óculos de lentes grossas, a boca desnuda de dentes. Sentou-se ao lado dele e solidária lhe desejou um bom dia e perguntou: -Como vai a sua dor? -Na mesma, ele respondeu. -Pois hoje eu chutei a minha. Ei homem, solta uma "busch", ou melhor, primeiro quero um café. - Para mim outra "busch". As unhas pretas deslizavam da lata de cerveja sobre o balcão. Dali a alguns minutos sairia para enfrentar mais uma noite de frio. Todas as noites a esquina era o seu palco, onde estaria a postos com as suas baquetas para tocar a tampa de uma lata de lixo como se tocasse a melhor bateria do mundo. |
by: Angie
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