Autonomia Em Perigo

Orla da praia de Santos....

Torna-se interessante analisar as atividades de determinados políticos, cujas formas anacrônicas de legislar, se assemelham a um ataque de cirrose. Legislam com o fígado, não toleram ser derrotados por outros mais competentes e, nesse destempero de que são apossados, terminam por prejudicar uma cidade inteira.
Durante o processo eleitoral do ano 2000, uma solicitação de tombamento dos canais de Santos, jogou por terra o projeto que pretendia urbanizá-los em sua primeira quadra, junto à avenida da praia.
Tal projeto proporcionaria aos moradores dessa quadra, sensíveis melhorias em sua qualidade de vida, alem de viabilizar um melhor fluxo do trânsito, e de embelezar as referidas áreas.
De nada adiantaram os protestos de santistas preocupados com a referida qualidade de vida e com o progresso da cidade. Para alguns, é preferível a continuidade desse esgoto a céu aberto e, o retrocesso qualitativo de nossa cidade. Seguem os ditames da turma do não, cujo conservadorismo raia à mais absoluta falta de bom senso e respeito pela vontade da maioria.
Agora, quando a administração municipal tenta solucionar um velho problema, que se arrasta a décadas, qual seja o de atender a reclamos da população com relação à construção de uma ciclovia na orla da praia, observamos o casuísmo de nova solicitação de tombamento, desta vez, dos jardins da praia.
Muito embora a tal ciclovia não vá afetar os referidos jardins, e sem saber em que terreiro cantava o galo, preferiu-se tentar, mais uma vez, prejudicar a cidade seus moradores e visitantes. Não se atentou antes, para os problemas que tal tombamento poderão trazer no futuro. Se os jardins da praia de Santos, são hoje um patrimônio inquestionável de todos nós, que direito tem alguém de querer, por qualquer via que seja, tomar de nós essa responsabilidade para passá-la a quem nada faz pela cidade?
Todas as vezes em que algo é tombado pelo órgão responsável do Estado, sabemos que tal tombamento é literal. É fácil canetar um documento suprimindo a liberdade de alguém, negando-se posteriormente, a sustentar esse alguém. Assim agem os referidos órgãos estatais de tombamento.
Exemplos não faltam: Engenho dos Erasmos; Farol do Itapema; Igreja do Carmo, para citar apenas três. Outros imóveis históricos tombados, foram restaurados pela iniciativa privada ou pelo poder público municipal, exceto a Bolsa de Café, que contou com a valiosa força e interesse do Governador Mário Covas.
Mas o que realmente nos preocupa, é a forma arbitrária e fascista utilizada para interferir na autonomia municipal. Não é de hoje que chamo à atenção em meus artigos, para este processo lento e gradual com que se instala uma nova ação ditatorial no país. Vivemos hoje sob a tutela de uma ditadura invisível, ditada por uma conduta de política econômica que suprime o processo de desenvolvimento, em favor dos interesses do Fundo Monetário Internacional, e em nome de um suposto combate ao processo inflacionário, causando este alto índice de desemprego no país.
Se eu fosse deputado, voltado que sou para os interesses da coletividade, por certo estaria me preocupando mais com tais aspectos, ao invés de legislar com um fígado atacado de cirrose, traindo a vontade do eleitorado, e sempre voltado para mesquinharias que nada constróem. E dentro desta concepção é que envio meus elogios para a Deputada Telma de Souza, que apesar de todas as contradições ideológicas que nos separam, dá uma demonstração daquilo que é legislar em favor da coletividade. Pena que outros deputados não lhe sigam o exemplo.

by: Carlos Pinto
Jornalista
Secretário Municipal de Cultura
10/11/2001

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