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AS INTERFERÊNCIAS
   
Realizada a convenção nacional do PMDB, concretizou-se
o aluguel da legenda ao candidato tucano, José Serra. De contrapeso, foi
a Deputada Rita Camata, aquela que foi sem ter sido, na condição de candidata
a Vice Presidente. Mas por trás de toda essa "negociação" realizada pela
direção partidária, estão os quase oito minutos a que tem direito o PMDB
nos horários eleitorais de rádio e TV.
Na verdade, somente estes oito minutos interessavam ao PSDB. O resto que
acompanhou o tempo eleitoral na referida "negociação", é apenas o resto.
Com isso, concretizaram-se as interferências na autonomia e soberania
do PMDB, com a conivência de sua direção nacional, hoje sob o comando
dos quatro cavaleiros, antes, equivocados, hoje, vendilhões do templo.
Mas há uma verdade inquestionável em toda esta trama urdida pelos piolhos
de gabinete. Foram-se os anéis, mas ficaram os dedos, a garra e a voz
de toda a militância partidária que não participará dessa farsa eleitoral,
já que está mais interessada em construir um partido serio, honesto e
voltado para os reais interesses da sociedade brasileira. Cada militante
é hoje um eleitor independente para apoiar os candidatos partidários ao
Senado e Câmaras Legislativas e, também, para apoiar para a presidência,
os candidatos realmente comprometidos com as causas populares.
Na pratica, os tucanos ficaram com os anéis (tempo de rádio e TV) e, outros
candidatos, com aquilo que mais interessa em uma eleição: os votos. Os
quatro cavaleiros, ficam no aguardo que suas maquinações alcancem os resultados
almejados, para que possam então, na pratica, participar do "dando é que
se recebe". Esta sempre foi a lógica e a atuação dos piolhos de gabinete,
que infelizmente, estão incrustados na maioria do partidos políticos do
país.
No que se relaciona com a convenção estadual, também realizada neste final
de semana, à qual não esteve presente o Deputado Michel Temer, Presidente
Nacional do PMDB e, candidato à reeleição. À sua espera, estava um coral
de militantes da base partidária, com mais de quinhentas vozes, entoando
versos relacionados com os acontecimentos da convenção nacional e sua
participação direta nas "negociações" de entrega da legenda aos tucanos.
Moral desta triste estória: Qual a coerência de cidadãos como José Serra,
José Aníbal e outros da mesma estirpe, que ao saírem do PMDB para fundar
o PSDB falaram cobras e lagartos daqueles que permaneceram fiéis ao ideal
do partido? E qual a coerência de Temer, Geddel, Moreira Franco e outros,
que ainda teimam em permanecer no partido, quando na verdade seus corações
já tucanaram faz tempo?
Para os militantes históricos, só resta continuar a escrever a história
séria do PMDB, seguindo a lógica de Geraldo Vandré: " vou caminhando,
sorrindo e cantando, até que um dia.........."
Carlos Pinto
Jornalista
(18/06/2002)

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